HIV e sífilis ameaçam o DF, além da covid e da dengue

mmPor ,09/05/2022 às 9:00, Atualizado em 10/05/2022 às 15:11

É urgente a necessidade de reorganizar a rede de atendimento, suprir o déficit de profissionais e regularizar o abastecimento e a distribuição de medicamentos, reagentes e demais insumos na rede pública do DF

Gutemberg Fialho

Não bastasse o crescimento dos casos de dengue este ano, o avanço de outras doenças infecciosas também é motivo de preocupação. E, diante da desorganização instalada na rede pública de saúde, da insuficiência de médicos e outros profissionais, e da falta de reagentes para realização de exames, a preocupação não é pequena.

Na Policlínica de Taguatinga, por exemplo, não param de chegar pacientes em busca de consulta na Infectologia. Com apenas 40 horas semanais de atendimento, a marcação de consulta demora meses – atualmente, só há vagas para outubro. A estimativa é de que faltam 58 médicos dessa especialidade à rede assistencial. O Portal de Transparência do GDF registra apenas 45 especialistas da área em atividade na Secretaria de Saúde.

Isso ocorre em um cenário onde se percebe um aumento na ocorrência de doenças contagiosas de diversas naturezas, inclusive as sexualmente transmissíveis, como sífilis, HIV/Aids e hepatites, que tendem a aumentar com o fim das medidas restritivas adotadas no enfrentamento à pandemia da covid-19.

Nos casos de sífilis adquirida, por exemplo, o boletim epidemiológico da SES-DF de 2021 mostra que o coeficiente de detecção passou de 48,8 casos por 100 mil habitantes, em 2016, para 70,6 casos por 100 mil habitantes em 2020. O número de casos de hepatites B e C também está em crescimento há quatro anos e a do tipo C aumentou 110% de 2019 para 2020.

As infecções por HIV também aumentaram, e, especialmente em função dos dois anos da pandemia, é provável haver uma subnotificação de casos. Relatório da Codeplan, de dezembro do ano passado, indica um crescimento geral das Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), em especial, HIV/Aids e sífilis adquirida.

Foto: Reprodução

O mesmo relatório aponta que a maioria dos casos atinge jovens de 12 a 29 anos, tendo as regiões administrativas de Ceilândia e Samambaia como as que concentram mais casos entre todas as cidades do DF.

O aumento de casos de doenças infecciosas de 2019 para 2020 mostra que a pandemia da covid-19 não foi determinante para a redução do número de registros. Sabe-se, no entanto, que a pandemia foi motivo de represamento geral de atendimentos médicos e de tratamentos e diagnósticos.

Sem dados fechados referentes a 2021, o que temos são reações de profissionais que atuam na ponta do atendimento: e o sentimento é de preocupação diante da perspectiva da explosão do número de casos.

E mesmo com o aumento da circulação das infecções sexualmente transmissíveis, não houve expansão da oferta de assistência. Pelo contrário: o Centro de Atendimento e Testagem da Rodoviária do Plano Piloto, por exemplo, teve uma redução no horário de atendimento.

É importante lembrar que infecção não diagnosticada e a demora no início do tratamento pode implicar em agravamento do quadro do paciente. E isso implica em maior sofrimento pessoal e maior gasto público.

A própria Codeplan alerta para o fato de que o tratamento de boa parte dessas doenças, como HIV/Aids implica, além do sofrimento humano envolvido, em aumento de custos continuados para o sistema de saúde. Daí a necessidade de uma rápida reação da gestão da saúde pública.

Com a explosão das doenças contagiosas, como HIV/Aids e sífilis, entre outras, é urgente a necessidade de reorganizar a rede de atendimento, suprir o déficit de profissionais e regularizar o abastecimento e a distribuição de medicamentos, reagentes para exames e demais insumos na rede pública de saúde do DF.

Leia mais em Brasília Capital

Deixe um comentário

Rolar para cima