Alea jacta est!

mmPor ,14/10/2018 às 9:00, Atualizado em 11/10/2018 às 15:46

Nós, eleitores, precisamos perguntar: para onde eles vão, se fugindo a galope no cavalo preto, bem longe das vãs promessas que fizeram e que não deverão cumprir

Chegou a hora de dizer “a sorte está lançada”, tradução do título acima, quando o general romano Júlio César lançou o vitorioso grito de guerra à beira do rio Rubicão, à frente de suas tropas. Felizmente, após a renhida batalha da Eleição 2018, quando já ficamos sabendo quem conquistou o lugar almejado na multidão de 23 mil candidatos inscritos no Tribunal Superior Eleitoral, incluindo quatro alternativas que passaram para o segundo turno nas modalidades da Presidência da República e da Governança do Distrito Federal.

Já são conhecidos, porém, os nomes dos vitoriosos senadores, deputados federais e distritais, que comemoram os louros de uma suada disputa e que, agora, todos juntos, terão que aguardar a ratificação de seus respectivos sucessos na posse de 1º de Janeiro de 2019, uma terça-feira, que deverá virar feriado, disfarçado de ponto facultativo.

A esses felizardos brasileiros, vale a pena inserir o poema de Carlos Drummond de Andrade, para perguntar:

“E agora, José?/ A festa acabou,/ a luz apagou,/ o povo sumiu,/ a noite esfriou./ E agora, José?/ E agora, você? / Você que é sem nome,/ Que zomba dos outros/ Você que faz versos,/ Que ama, protestos?/ E agora, José?//

            Está sem mulher,/ Está sem discurso,/ Está sem carinho,/ Já não pode beber,/ Já não pode fumar/ Cuspir já não pode,/ A noite esfriou,/ O dia não veio,/ O riso não veio,/ Não veio a utopia,/ E tudo acabou,/ E tudo fugiu,/ E tudo mofou,/ E agora, José?//

            Se você gritasse,/ Se você gemesse/ Se você tocasse a valsa vienense/ Se você dormisse/ Se você cansasse/ Se você morresse/ Mas você não morre,/ Você é duro, José!//

            Com a chave na mão,/ Quer abrir a porta,/ Não existe porta,/ Quer morrer no mar?/ O mar secou./Quer ir para Minas?/ Minas não há mais./ José, e agora?/ Sozinho no escuro,/ Qual bicho-do-mato,/ Sem parede nua,/ Para se encostar,/ Sem cavalo preto/ Que fuja a galope./ Você marcha, José!/ José, para onde?”

Drummond previu o que passaria pelas cabeças dos poucos que se elegeram neste conturbado pleito de 2018, a quem nós, eleitores, precisamos perguntar: para onde eles vão, se fugindo a galope no cavalo preto, bem longe das vãs promessas que fizeram e que não deverão cumprir. Aliás, como sempre!

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