Um político fracassado no Além

BSB Capital 11/06/2022 às 9:00, Atualizado em 13/06/2022 às 17:20

“Morri. E agora?”. Livro de Vera Lúcia Marinzeck conta as agruras de um corrupto no mundo espiritual

José Matos

A política é uma das atividades mais úteis e nobres que o ser humano pode desempenhar. Não obstante, poucos políticos são conscientes da responsabilidade e da grandeza com que ela deve ser exercida. Quase todos buscam apenas locupletar-se e exaltar o ego. O ideal de todo político deveria ser o de Tiradentes, referindo-se ao Brasil: “Se dez vidas eu tivesse, dez vidas daria”.

Vera Lúcia Marinzeck, em seu livro “Morri! E agora?”, relata o drama de um político após a morte. Vejamos: “…estava num leito daquele hospital moderno, acordei, e não abri os olhos (…) pela primeira vez indaguei-me: o que seria morrer? Havia frequentado, socialmente, muitas igrejas e templos, apenas pra arrecadar votos, e ouvido vários sermões, aos quais, infelizmente, não dera atenção.

“Mas algumas coisas do que ouvira vieram, naquele instante, à minha mente: eu acabaria com a morte? Ao pensar neste fato, me apavorei (…). Desencarnarei como dizem os espíritas? se houver uma sentença por certo não me darei bem. (…) perguntei: morri e agora?”.

“Agora ficará aí pra ver e ouvir outros hipócritas como você”, falou um vulto, gargalhando (…). “Foi um horror; apelei mentalmente e pedi: Deus, misericordioso Pai, ajude-me!”. “Quantos lhe pediram por Deus? Você os atendeu?” (…). “Notei, então, que três vultos estranhos estavam do lado de trás do meu caixão e fora um deles quem falara e falou novamente: “Agora verá o que é de fato a morte pra você, que é ladrão e corrupto. Ficará aí dias, junto ao corpo de carne que tanto cultuou. Aproveite pra pensar no que fez de errado (…). Você merecia ficar aí até seu corpo carnal virar pó. Mas o chefe quer julgá-lo…”.

“Me deixaram num salão e senti muito medo. Eu, acostumado a mandar, receber agrados e elogios, estava sendo humilhado e tratado como um ser desprezível. (…) Fui condenado (…): Será escravo. Colocaram um aro de ferro em meu pescoço e fiquei preso a uma corrente”.

“Começou pra mim um longo período de sofrimento (…) Um grupo de homens aproximou-se. Tiraram minha roupa. Bateram–me muito. Cuspiram em mim e me xingaram. Sofri horrores; foram muitos anos de padecimento e humilhação (…). Por que reclama, perguntavam meus carrascos. Você se importava com as pessoas que sofriam? O dinheiro que roubou não foi causa de sofrimento dos outros? Arrependi-me, passei a ajudar outros infortunados e fui tirado dali pra tratamento e reeducação”.

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