Cecília Garcia (*)
Está prevista para abril deste ano a primeira viagem tripulada ao redor da Lua desde a famosa Apollo 17, ocorrida em 1972. A missão Artemis II deverá levar quatro astronautas para uma viagem de 10 dias. Para muitos, é uma demonstração do estágio tecnológico avançado da sociedade atual. Para outros… a história é diferente.
A pesquisa Poles 2021 mostrou que 12% da população dos Estados Unidos acredita que a Nasa falseou os pousos na lua. Ou seja, para esse grupo, isso nunca aconteceu. Mas, de onde vem essa ideia?
Em 20 de julho de 1969, Neil Armstrong e Edwin “Buzz” Aldrin foram os primeiros homens a pisar na lua. O sucesso da missão Apollo 11 representava a vitória dos EUA sobre a União Soviética na corrida espacial – algumas estimativas apontam que de 500 a 600 milhões de pessoas assistiram pela televisão esse momento histórico.
O discurso que coloca em xeque o feito ganhou espaço em 1976, com a publicação do livro We Never Went to the Moon (Nós nunca fomos à lua, em tradução livre), de Bill Kaysing. Na obra, o escritor afirma que a Nasa não tinha capacidade técnica para levar o homem ao satélite natural da Terra. Sua tese é de que tudo não teria passado de uma gravação feita em estúdio.
Com o tempo, a história de Kaysing foi complementada com outras falsas informações levantadas por comunidades de conspiracionistas. Algumas delas, inclusive, absurdas, como a que diz ser o cineasta Stanley Kubrick (conhecido por 2001: uma odisseia no espaço; Laranja mecânica, O iluminado) o responsável pela filmagem da cena televisionada.
Outras afirmações podem até causar certa desconfiança, mas são facilmente explicadas pela ciência. Uma das mais conhecidas refere-se à bandeira norte-americana que aparece nas fotografias.
Na lua não há atmosfera. Logo, não há vento. Então como o símbolo aparece “em movimento”? Se for observada com cuidado, é possível ver na imagem que o tecido está preso por uma lateral e pela parte superior ao suporte em formado de L que foi fincado no solo. Mistério resolvido.
Apesar de todas as possíveis incongruências vistas pelos conspiracionistas, o pouso na lua é uma realidade, não aberta ao debate de opiniões. Uma das maiores evidências disso é que mais de 400 mil profissionais trabalharam no projeto Apollo.
Guardar um segredo em um grupo pequeno já é difícil. Agora, imagina evitar que quatro centenas de milhares de pessoas não contem para ninguém que a viagem à lua era uma grande mentira.
(*) Jornalista