Tersandro Vilela (*)
A inteligência artificial avança rapidamente no mundo. E no Brasil não é diferente, com impulso da integração em grandes plataformas digitais, novos investimentos em startups e movimentos de expansão de multinacionais. Ao mesmo tempo, especialistas alertam que boa parte dos projetos corporativos ainda não gera retorno econômico concreto, indicando que o setor entra em uma fase de amadurecimento após o entusiasmo inicial.
Um dos movimentos mais relevantes ocorre nas plataformas de comunicação usadas no cotidiano do país. A Meta passou a permitir que empresas ofereçam assistentes baseados em inteligência artificial dentro do WhatsApp por meio da Business API. Isso ocorre após questionamentos regulatórios e amplia a possibilidade de que companhias utilizem chatbots de diferentes desenvolvedores para atendimento, vendas e suporte ao consumidor. Em um país onde o aplicativo se tornou um dos principais canais de relacionamento entre empresas e clientes, a medida tende a acelerar a presença da IA no comércio digital e nos serviços.
O avanço tecnológico também aparece no fluxo de investimentos, considerando que startups brasileiras vêm atraindo capital para desenvolver aplicações específicas de inteligência artificial em setores como saúde, varejo e gestão empresarial. O movimento segue uma tendência global: em vez de soluções genéricas, investidores buscam tecnologias voltadas a nichos da economia, capazes de gerar ganhos operacionais mensuráveis.
Outro sinal da consolidação do mercado é o interesse de grandes consultorias internacionais. A Accenture anunciou a aquisição da brasileira Verum Partners, especializada em gestão de projetos de capital e infraestrutura. A operação faz parte da estratégia da empresa de ampliar serviços de transformação digital na América Latina, integrando análise de dados, automação e tecnologias avançadas a projetos industriais e de engenharia.
Apesar do crescimento do setor, especialistas alertam que a adoção corporativa da inteligência artificial ainda enfrenta obstáculos. Em evento recente ligado à indústria tecnológica, Norbert Jung, CEO da Bosch Connected Industry, afirmou que cerca de 95% dos projetos de IA ainda não geram valor econômico significativo para as empresas. Segundo ele, muitos projetos permanecem em fase experimental ou carecem de dados e estratégia suficientes para produzir ganhos concretos.
Com a corrida global por inteligência artificial, consultorias, plataformas digitais e startups disputam espaço em um mercado que movimenta bilhões de dólares. Para empresas brasileiras, o desafio é transformar o interesse crescente pela tecnologia em ganhos concretos de produtividade e competitividade.
(*) Jornalista pós-graduado em Filosofia, especialista em Liderança: gestão, resultados e engajamento, e mestrando em Inovação, Comunicação e Economia Criativa