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bsbcapitalPor ,23/04/2016 às 19:40, Atualizado em 09/07/2016 às 3:37

José Euclides Queiroz Ferreira (*) Assistimos no domingo (17) a votação para a admissibilidade do processo de afastamento da presidente Dilma Roussef. Brasileiros indignados, honestos, desonestos, torcedores fanáticos (dos dois lados) e representantes de grupos politiqueiros pagos usaram as redes sociais para debater e suas ideias e defender ou atacar a presidente. Ou seja, as …

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José Euclides Queiroz Ferreira (*)

Assistimos no domingo (17) a votação para a admissibilidade do processo de afastamento da presidente Dilma Roussef. Brasileiros indignados, honestos, desonestos, torcedores fanáticos (dos dois lados) e representantes de grupos politiqueiros pagos usaram as redes sociais para debater e suas ideias e defender ou atacar a presidente. Ou seja, as redes sociais se transformaram em verdadeiras feiras de discussões.

Vimos de tudo no domingo, como as declarações dos votos “por Deus”, “pela Família”, “porque ela não me atendeu”, “porque o partido mandou”. Tivemos de tudo. Uma reprodução online dos embates que ocorreram nas ruas. Como existia um clima de guerra entre torcidas raivosas, temia-se pelo pior.

Felizmente, nada disto aconteceu, embora tenhamos identificado três grupos preponderantes nas redes sociais: os radicais (apoiadores de quem quer que seja, desde que tirem o PT do poder); os torcedores fanáticos e os grupos politiqueiros pagos. O restante é a classe dos indignados honestos.

Este grupo, com adeptos nos mais diversos cantos do Brasil, foi o responsável pela maior surpresa na segunda feira, o “dia Seguinte”. Os apoiadores de Dilma precisavam retomar sua rotina, e estavam certos de que seriam “gozados”, pessoalmente ou pela internet, como é comum ocorrer com os torcedores dos times derrotados nos jogos de fim de semana.

Mas, ao contrário, os “dilmistas” não foram alvos das brincadeiras entre vencedores e vencidos. O mais comum foi a avaliação do comportamento dos deputados. Uns diziam que não sabiam que nossos representantes no Congresso eram daquele jeito,  com aquela qualidade moral e ética. O que mais se ouvia eram frases do tipo: “com este Congresso, não tem presidente que governe, pode ser qualquer um”, parecia um fila de pedintes desavergonhados por Deus e pela Família, por meu gato, cachorro, papagaio, periquito, por não ter feito o que eu queria, etc.

E assim, cabem as perguntas: pedindo o quê? Para si ou para o Brasil? Pelos interesses do povo ou de seus umbigos? Foi então que a apatia trouxe a indignação e esta trouxe consigo a falta de credibilidade. E agora estes que antes apoiavam o impeachment agora estão pensativos.

E  não adianta os meios de comunicação tentarem justificar nada, pois foi demais. Deputado fazendo homenagem a torturador, deputado levando Cunha nos braços e já sugerindo anistiá-lo, como se anistiando o presidente da Câmara estivessem anistiando a si mesmos. Outros pregaram a legitimidade de Temer, que está em cheque pelos seus próprios atos.

Parafraseando Eduardo Cunha, quando ele proferiu seu voto: “Deus tenha misericórdia do Brasil”.

(*) Empresário, brasileiro, nordestino e pernambucano

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