Dia do Trabalhador, comemorar o quê?

BSB Capital 11/05/2014 às 9:29, Atualizado em 11/05/2014 às 9:29

Neste friorento início de maio, há três datas sugestivas: Dia do Trabalhador, 1, quinta-feira (já passou); Dia das Mães, 11, domingo; e Abolição da Escravatura no Brasil, 13, terça-feira. Como disponho de espaço limitado neste cantinho de página (aliás, há mais de um ano, com muita honra), por ordem cronológica vou abordar os três temas …

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Neste friorento início de maio, há três datas sugestivas: Dia do Trabalhador, 1, quinta-feira (já passou); Dia das Mães, 11, domingo; e Abolição da Escravatura no Brasil, 13, terça-feira. Como disponho de espaço limitado neste cantinho de página (aliás, há mais de um ano, com muita honra), por ordem cronológica vou abordar os três temas em crônicas separadas, ou seja: em tempo fracionado, mas com espaço garantido.

Com o intuito de me inspirar para escrever estas mal traçadas linhas sobre o primeiro evento, perguntei ao Luan (o gatinho lá de casa, com o qual minha mulher conversa todas as manhãs): com que grana e com que roupa o trabalhador brasileiro vai comemorar o seu dia, aproveitando a folga do feriado nacional, desfrutando do Salário Mínimo mais baixo da América do Sul, até mesmo em comparação à Bolívia?

Diante do óbvio ululante (expressão inventada pelo Nelson Rodrigues), o Luanzinho fez cara de paisagem, sem dar qualquer resposta através de um miau-miau convincente. Claro que como felino doméstico bem alimentado com grãos vitaminados, leite tipo A, água filtrada e caixa sanitária de areia especial, nosso interlocutor da raça angorá sabe contar até 10, além da Aritmética de somar, diminuir e dividir.

Por isso, também sabe que se sua dona ganhasse Salário Mínimo atual de 724 reais, mensais, ele ou ela já teriam morrido de fome, até porque suas despesas (dele) com banhos, vacinas e rações recomendadas pela veterinária chegam quase a essa quantia. Resumindo: o Salário Mínimo em nosso País não passa de uma piada de mau gosto. E quando o atual subsídio legal mensal passou a vigorar desde 1º de janeiro, comparado ao de 2013, que era de 678 reais, a presidente Dilma, que é economista, ao assinar a Lei em questão, tinha consciência de que o “aumento” proporcionado era de 6,78%, 35 vezes menos do que recebem os parlamentares da República para “trabalhar” três dias por semana, fora as mordomias. Trocando em miúdos: um trabalhador ganhava em 2013, exatos, 22 reais e 60 centavos por dia; e foi “reajustado” neste 2014 para 24 reais e 13 centavos.

O que até parece gozação de políticos, de acordo com a Constituição de 1988, eis o texto legal na íntegra: “O Salário Mínimo nacional deve suprir as necessidades básicas de um trabalhador, com alimentação, moradia, educação, saúde, vestuário, transporte, higiene e lazer”.

É o caso de perguntar, mais uma vez: que país é esse?

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