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Cidades, Distrito Federal, Economia

Celina prevê economia de R$ 1 bi com ocupação do Centrad

Após 12 anos fechado, complexo deve movimentar a economia de Taguatinga, Ceilândia e Samambaia

  • Nathália Guimarães
  • 11/06/2026
  • 12:12

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Foto: Paulo H. Carvalho/Agência Brasília

Nathália Guimarães e Tácido Rodrigues

Símbolo de desperdício de recursos públicos e de um dos maiores impasses judiciais da história do Distrito Federal, o Centro Administrativo do DF (CAD-DF), antigo Centrad, finalmente começará a cumprir a função para a qual foi construído. A governadora Celina Leão anunciou na terça-feira (9) a ocupação gradual do complexo, que estava abandonado há 12 anos. A medida deve gerar uma economia superior a R$ 1 bilhão em cinco anos com a redução de gastos com aluguéis de prédios pelo GDF.

A primeira etapa da ocupação será concluída até setembro e permitirá a utilização de cerca de 30% da estrutura. Cinco secretarias serão transferidas integralmente para o local: Obras e Infraestrutura, Desenvolvimento Urbano e Habitação, Mobilidade, Meio Ambiente e DF Legal. Juntas, elas ocuparão cinco blocos com capacidade para receber até 1.638 servidores. Casa Civil, Casa Militar e Secretaria de Governo também passarão a utilizar parte do espaço.

Atualmente, o GDF gasta cerca de R$ 168 milhões por ano com contratos de aluguel. Segundo Celina Leão, apenas a transferência inicial das secretarias deve representar uma economia superior a R$ 18 milhões anuais. A expectativa é ampliar gradualmente a ocupação do complexo e reduzir ainda mais os gastos públicos.

“Desde quando eu assumi, determinei uma redução de 25% desses aluguéis. Agora estamos escolhendo estrategicamente secretarias cujos contratos estão vencendo ou prestes a serem renovados. Só essa primeira etapa já representa uma economia significativa para os cofres públicos”, afirmou a governadora.

Mais do que uma medida de economia, a ocupação do CAD-DF é defendida pelo governo como uma estratégia de descentralização administrativa. Localizado entre Taguatinga, Ceilândia e Samambaia, ao lado da Estação Centro Metropolitano do metrô e próximo ao terminal rodoviário de Taguatinga, o complexo deverá, de acordo com o Palácio do Buriti, atrair diariamente milhares de servidores, prestadores de serviço e cidadãos, fortalecendo o comércio e estimulando o desenvolvimento econômico da região.

A mudança também promete melhorar a integração entre os órgãos públicos. Com diversas secretarias funcionando em um mesmo espaço, a ideia é agilizar processos internos, reduzir deslocamentos e facilitar o atendimento à população.

De escândalo a solução

A ocupação do CAD-DF encerra uma novela que atravessou mais de uma década e diferentes governos. O empreendimento foi idealizado durante a gestão de José Roberto Arruda (2007-10). No entanto, o projeto acabou marcado por denúncias, investigações, disputas judiciais, problemas contratuais e sucessivos atrasos.

Inaugurado simbolicamente no último dia do governo Agnelo Queiroz (2011-14), o então Centrad nunca chegou a funcionar. Ao longo dos anos, o complexo tornou-se o principal elefante branco da capital federal. O empreendimento, que inicialmente tinha custo estimado em R$ 660 milhões, ultrapassou a marca de R$ 1 bilhão sem cumprir sua finalidade original.

Agora, o governo busca transformar um dos maiores passivos administrativos do DF em uma ferramenta de economia, eficiência e desenvolvimento urbano. Além da transferência das secretarias, estão previstos investimentos em mobilidade, incluindo a construção de uma nova estação rodoviária, expansão do Metrô, VLT e BRT, além de dois viadutos.

“Essa decisão não é apenas sobre economia de aluguel. É uma decisão de mobilidade, de descentralização e de desenvolvimento para Taguatinga, Ceilândia e toda essa região. Tenho certeza de que isso vai impulsionar o comércio, gerar oportunidades e melhorar a dinâmica urbana”, ressaltou Celina.

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