A Via Crucis da Via Sacra

BSB Capital 25/03/2016 às 19:31, Atualizado em 09/07/2016 às 3:40

Foto: Divulgação Uma tradição de mais de 40 anos pode estar com os dias contados na capital da República. A Via Sacra organizada desde 1973 pela Paróquia de São Sebastião, no Morro da Capelinha, em Planaltina, corre o risco de desaparecer. Às vésperas da 43ª edição do evento, descobriu-se que parte da área onde é …

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Foto: Divulgação

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Uma tradição de mais de 40 anos pode estar com os dias contados na capital da República. A Via Sacra organizada desde 1973 pela Paróquia de São Sebastião, no Morro da Capelinha, em Planaltina, corre o risco de desaparecer. Às vésperas da 43ª edição do evento, descobriu-se que parte da área onde é montada a infraestrutura – barracas de apoio da Defesa Civil, do Corpo de Bombeiros, da Polícia Militar e estacionamento – estava cercada.

O cercamento foi feito por Carlos Henrique Almeida, que alega ser o dono das terras. Almeida seria um dos três herdeiros do terreno e está negociando sua parte com Inácio Pires, proprietário da empresa Service Amazon, do Maranhão. Inácio Pires, um ex-deputado estadual dissidente do grupo do ex-senador José Sarney (PMDB) tinha a intenção de construir um loteamento com 6.062 unidades, entre casas e apartamentos.

“Suspendemos os aportes financeiros por falta da documentação hábil para que pudéssemos adquirir parte de uma herança de família”, justifica Pires. Segundo ele, estavam em curso duas opções de financiamento – uma por um fundo de pensão e outra pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Ao identificar o cercamento da área, a Paróquia São Sebastião entrou com uma ação na Vara Cível de Planaltina solicitando a reintegração e manutenção de posse das terras, conhecidas como Larga do Catingueiro. De acordo com Édson Alves, advogado de Inácio Pires, o registro da propriedade de Carlos Henrique Almeida foi feito no cartório de Alexânia, em Goiás, na década de 1990.

Em seu despacho, o juiz da Vara Cível de Planaltina determinou a retirada do arame farpado. Mesmo reconhecendo que a Paróquia não é a proprietária do trecho cercado, ele optou pela “proteção do patrimônio artístico e religioso referente à encenação da Via Sacra, o que não causará nenhum prejuízo ao réu Carlos Henrique”, conforme escreveu em sua decisão. A tutela é provisória e a retirada da cerca e a custódia do material recolhido é de responsabilidade da Paróquia.

Conforme consta na decisão da Vara Cível de Planaltina, a Paróquia São Sebastião é possuidora de uma área de 77.1933ha, conhecida como Morro da Capelinha, desde o ano de 1973. A posse teria ocorrido por meio de uma doação feita por Olívia Campos Guimarães, em função a uma graça alcançada. Desde então, a Paróquia celebra as festividades da Semana Santa no local, com a encenação da Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, na sexta-feira da Paixão. O espetáculo religioso é reproduzido há 42 anos na área.

Pela planta georreferenciada, o Morro da Capelinha está delimitado com a área de 77.049ha, fazendo divisa com áreas adjacentes. Uma das áreas limítrofes é denominada como Larga do Catingueiro. Essa gleba é conhecida da Justiça local por ter sido objeto de disputa, conforme ação movida por Carlos Henrique de Almeida contra Newton Monteiro Guimarães, também herdeiro da família Guimarães, detentora de vários terrenos em Planaltina. Atualmente, os interesses da família são defendidos pelo arquiteto Salviano Guimarães, ex-deputado distrital e primeiro presidente da Câmara Legislativa do DF.

A tradição religiosa é antiga. Consta que José Gomes Rabelo, fazendeiro da região, teria construído, há 200 anos, uma capela de taipa para São Sebastião, como agradecimento pela região ter se livrado de uma epidemia. Assim como Rabelo, várias pessoas pagam suas promessas e acompanham a Via Sacra revivendo as estações do caminho de Jesus até sua crucificação.

As ações continuam a tramitar na justiça, mas a festa deste ano está garantida.


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