Ao comentar o caso da soldado Gisele Alves Santana, de 32 anos, assassinada com um tiro na cabeça pelo marido, o tenente-coronel Geraldo Neto, em São Paulo, a vice-governadora Celina Leão afirmou que “a violência começa no primeiro controle”.
“Ele não tirou só o batom. Tirou a liberdade, a identidade, a alegria. Quando alguém decide o que você pode vestir, usar ou ser, isso não é cuidado. É controle. A violência não começa no grito. Começa no detalhe que muita gente insiste em normalizar. E quando a gente chama controle de amor, o perigo cresce dentro de casa”, disse Celina, em vídeo publicado nas redes sociais nesta sexta-feira (20).
Inicialmente tratado como suicídio, o caso ganhou novos desdobramentos após inconsistências no depoimento do algoz e na cena do crime, ocorrido em 18 de fevereiro.
Às 7h28, uma testemunha vizinha ouviu um disparo. O tenente-coronel Geraldo Neto, que estava no local onde morava com a companheira, acionou o Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) às 7h57.
Ele reportou o caso às autoridades como suicídio. Posteriormente, o registro foi alterado para morte suspeita. A família da vítima contestou a versão de suicídio desde o início.
À polícia, o oficial relatou que estava no banho no momento do disparo. No entanto, socorristas que chegaram ao local informaram que ele estava seco e que não havia sinais de água no banheiro.
Os socorristas tiraram, ainda, uma foto da vítima com a arma na mão. O advogado da família de Gisele, José Miguel Silva Junior, explicou que tal posição – a arma bem encaixada na mão – é incomum em casos de suicídio.
Laudo
Em 19 de fevereiro, o primeiro laudo necroscópico já mencionava lesões na face e no pescoço, na lateral direita da soldado. As lesões foram resultado de pressão digital e escoriação compatível com estigma ungueal, ou seja, causado por unha.
No dia 6 de março, o corpo da policial foi exumado para realização de novos exames. No dia seguinte, um segundo laudo necroscópico confirmou lesões contundentes na face e na região cervical.
Um mandado de prisão preventiva contra Geraldo Neto, por sua vez, foi concedido pela Justiça Militar na última terça-feira (17). A Polícia Civil concluiu o inquérito e indiciou o tenente-coronel por feminicídio e fraude processual.
Na quarta-feira (18), o criminoso foi preso em sua residência, em São José dos Campos (SP). Ele foi levado ao 8º Distrito Policial, onde o caso estava sendo investigado, e transferido para o Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte da capital paulista.
Com informações da Agência Brasil