Secretaria quer retirada do Espaço do Cerrado do Parque da Cidade

bsbcapitalPor ,26/10/2021 às 7:26, Atualizado em 26/10/2021 às 9:20

Um mês depois de inaugurado, o Espaço Cerrado, no Parque da Cidade, recebe notificação para desocupar quiosque. Projeto ensina educação ambiental aos brasilienses

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Inaugurado há apenas um mês, instituto de desenvolvimento ambiental corre risco de sair do Parque da Cidade. Foto: Antônio Sabino/ Brasília Capital

Idealizado pelo Instituto de Desenvolvimento Ambiental e Sustentabilidade Arvoredo, o Espaço Cerrado, que funciona no Parque da Cidade, recebeu notificação de despejo um mês depois de inaugurado.

Segundo a Secretaria de Esportes do GDF, o quiosque onde ele está instalado é destinado “à exploração comercial na modalidade restaurante, de acordo com o Plano de Uso e Ocupação do Parque da Cidade Dona Sarah Kubitschek”.

Na notificação encaminhada ao Instituto Arvoredo, a Secretaria acusa a entidade responsável pelo Espaço Cerrado de estar irregularmente ali. No mesmo documento, a Pasta informa sobre a destinação do ambiente. 

No trecho da notificação da Secretaria consta: “processo em curso, que trata de elaboração, pela área técnica, de certame licitatório para a estrutura mencionada, observando a sua destinação”. E pede imediata reintegração do espaço. 

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Autorização

“Tendo em vista os ofícios 0008-20 e  00107/2021 ARV, oriundo desse Instituto, por meio dos quais solicita estrutura física no Parque da Cidade Dona Sarah Kubitschek, por prazo de vigência de 15 (quinze) anos, objetivando a implementação do Espaço Cerrado e execução das demais atividades relacionadas ao estatuto da entidade, informamos o que segue: a ocupação se apresenta de forma irregular, de modo que a entidade ocupa antecipadamente o imóvel sem a devida autorização”, destaca a Secretaria no documento do qual o Brasília Capital teve acesso. 

O presidente do Instituto Arvoredo, Umberto Lúcio, no entanto, nega que tenha instalado seu projeto sem autorização.  “Tivemos autorização via WhatsApp da Secretaria para a gente ocupar o espaço enquanto o processo estivesse tramitando”. 

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Realização de um sonho

Formado em administração e gestão pública, Umberto Lúcio conta que o projeto é “a realização de um sonho de vida”. O Espaço Cerrado é uma fonte de informação sobre a vegetação típica do Centro-Oeste para frequentadores e visitantes, principalmente estudantes. 

O centro de convivência ambiental no Parque da Cidade recebe gente de todas as faixas etárias. Em apenas um mês, passaram por lá mais de mil pessoas. O objetivo do projeto é mostrar, de forma didática, a importância do Cerrado e do seu bioma. 

Logo na entrada, o visitante se depara com painéis que contam um pouco da história e fala da importância e peculiaridades do Cerrado. Num, sob o título de O Cerrado é insubstituível, a pessoa vai saber que as árvores são como esponjas gigantes: acumulam água durante a chuva e a depositam em reservas subterrâneas para utilizá-la no período da seca. 

Do lado de fora, há espaço voltado para a criançada e para os jovens e apreciadores da arte e luta. De um lado, um tabuleiro gigante de xadrez chama a atenção. Foi ele que atraiu Gustavo Rodrigues, 36 anos, morador do Guará, ao lugar. “Frequento o Parque há muitos anos. Este espaço é muito gostoso. Dá para interagir com as crianças”, destacou. “Mal inaugurou e já vão tirá-lo?”, surpreendeu-se o militar. 

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Bar do Barulho

Antes de ser ocupado pelo Espaço Cerrado, o quiosque situado nos fundos do Kartódromo do Parque era destinado ao Bar do Barulho, um ambiente voltado ao público LGBT. No local, eram consumidos todos os tipos de bebida e funcionava até à noite. Às vezes, adentrava a madrugada. 

Ao acumular casos de violência, o Governo do Distrito Federal resolveu cancelar a permissão dos proprietários do Bar do Barulho. Um dos casos mais frequentes era a exploração de adolescentes nas redondezas do ambiente, o que pesou na decisão do GDF. 

Instrutor de futevôlei, Luciano tem permissão para uso de uma quadra de areia localizada a poucos metros do Espaço Cerrado. Há 16 anos no lugar, ele conta que não foi boa a experiência com o antigo vizinho, quando ali era destinado para a venda de bebidas alcoólicas e não para a distribuição gratuita de informações sobre a nossa flora, como é hoje. “Praticamente todos os dias eu tinha de tirar areia com urina por toda a quadra, além de garrafas e latinhas”, recorda. 

A reportagem procurou a Secretaria de Esportes, responsável pela administração do Parque da Cidade, mas não obteve resposta até o fechamento desta edição. Enquanto isso, o barulho do despejo já ecoa na cabeça de Umberto Lúcio. 

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