Rainha de bateria do RS trabalhou para tesoureiro do PT, diz advogado

bsbcapitalPor ,06/07/2016 às 8:43, Atualizado em 09/07/2016 às 3:50

Os desdobramentos da 31ª etapa da Operação Lava Jato, deflagrada nesta segunda-feira (5) pela Polícia Federal, deixaram a rainha da bateria da escola de samba Estado Maior da Restinga Viviane Rodrigues da Silva “angustiada”, segundo disse ao G1 o advogado da carnavalesca, Leandro Pereira. Ele afirma que os R$ 61,7 mil enviados a ela por um …

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Os desdobramentos da 31ª etapa da Operação Lava Jato, deflagrada nesta segunda-feira (5) pela Polícia Federal, deixaram a rainha da bateria da escola de samba Estado Maior da Restinga Viviane Rodrigues da Silva “angustiada”, segundo disse ao G1 o advogado da carnavalesca, Leandro Pereira. Ele afirma que os R$ 61,7 mil enviados a ela por um dos operadores do esquema investigado são referentes à remuneração pelo trabalho na campanha eleitoral da candidatura do ex-tesoureiro do PT Paulo Ferreira para deputado federal em 2010.

 

rainha
Rainha da bateria da Restinga trabalhou na campanha de Paulo Ferreira (Foto: Reprodução/TV Globo)

 

 

“Ela está surpresa e espantada”, disse Pereira, que lamenta a divulgação do nome da carnavalesca em meio às notícias da Lava Jato. “É uma exposição negativa de uma pessoa que tem uma vida extremamente correta. Ela está arrasada, coitada. Disse que nunca fez nada de errado na vida”, acrescenta.

Segundo o Ministério Público Federal (MPF), o dinheiro que originou o pagamento a Viviane – e outros mais R$ 40 mil encaminhados à Estado Maior da Restinga – são parte do total de R$ 1 milhão recebido pelo ex-vereador Alexandre Romano, do interior de São Paulo, suspeito de ser operador de um esquema de pagamento de propina para um consórcio de empreiteiras obter um contrato com a Petrobras. No despacho do juiz Sergio Moro, consta que o dinheiro foi encaminhado à carnavalesca em 18 parcelas mensais, quase todas no valor de R$ 3,5 mil. Em delação premiada, Romano disse que fazia os pagamentos a pedido de Ferreira.

“No período de 2010, ela fazia campanha do então candidato a deputado Paulo Ferreira, e foi assim que eles se conheceram. Ele a remunerava, como remunerava outras pessoas. Por isso os pagamentos eram todos no mesmo valor, exceto em um mês que foi R$ 4,2 mil, como um salário”, explica o advogado de Viviane.

O advogado agora trabalha para reunir as provas de que a rainha da bateria trabalhou na campanha do político, que ficou como suplente na Câmara dos Deputados e chegou a assumir mandato entre 2012 e 2014. Segundo ele, na época muitas pessoas sabiam sobre a relação de trabalho dos dois, principalmente no meio carnavalesco. “Era uma informação pública”, garante.

Pereira, no entanto, reconhece que o contrato foi feito “de forma verbal”. “Ela cobrava que fosse formalizado, mas ele dizia para não se preocupar, porque o pagamento viria através de conta bancária”, afirmou.

Por meio de uma rede social, Viviane disse estar “tranquila”. “Tenho a certeza de que não fiz nada de errado”, disse. Ela destaca também que em nenhum momento foi procurada por nenhum órgão oficial para tratar do assunto.

Viagem à China

O presidente da Estado Maior da Restinga, Robson Dias, diz não saber sobre repasses relacionados à Petrobras. Ele reconhece os quatro pagamentos feitos por Romano, que totalizam os R$ 45 mil citados pelo MPF, repassados nos meses de janeiro e fevereiro de 2010, e acredita que o valor tenha sido destinado a uma viagem à China, usada como pesquisa para o desfile em homenagem ao país asiático. Com o enredo “A Restinga é do Tamanho da China”, a escola de samba foi vice-campeã do carnaval da capital gaúcha (veja imagens do desfile acima).

Na ocasião, a pedido da escola, Ferreira intermediou uma reunião com a embaixada do país antes da ida. Dias disse ainda que não tomou conhecimento de quem pagou a viagem, e que a verba destinada a Viviane pode ter sido usada para despesa pessoal, mas ele não tem detalhes.

O presidente da Liga Independente das Escolas de Samba de Porto Alegre (Liespa), Juarez Gutierrez, disse que nenhum dinheiro é passado diretamente para a Liga, que organiza o desfile na cidade. Segundo ele, os valores usados no evento são provenientes de convênio com a prefeitura e com o governo do estado.

Homenagem neste ano

Ferreira é um político com vivência no meio carnavalesco gaúcho. No ano passado, foi homenageado no enredo de 2016 da Escola de Samba Praiana, quinta colocada entre as agremiações da capital gaúcha. Um vídeo mostra Ferreira participando da Descida da Borges,tradicional desfile de carnaval no Centro de Porto Alegre que antecede os festejos oficiais, no início deste ano (veja acima). Nas imagens, ele cumprimenta a Porta-Bandeira.

No carnaval deste ano, o samba-enredo da Praiana foi: “Uma declaração de amor em Verde e Rosa: Paulo Ferreira o homem do carnaval”. Na letra, os compositores Jéferson Souza e Paulo Amaral consideram o ex-tesoureiro, que também atuou como deputado federal, “a figura de um povo” e “um ser especial”.

Procurado na noite de segunda-feira (4), o ex-presidente da Praiana Miro Leal, que estava à frente da escola na época da decisão, descartou que houvesse vinculação política na escolha do tema e disse que a escola não recebeu ajuda financeira de Ferreira.

“Prestamos homenagem pelo que ele fez e vem fazendo pelo carnaval, sem vincular nada a política e nem a alguma ajuda financeira, como as pessoas acham. Foi de livre e espontânea vontade da escola, porque ele vem aparecendo no carnaval como pessoa ilustre desde 2010 ou 2011”, afirmou.

 


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