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colaboradores, Geral

Ponosfobia, insulto ao trabalhador

  • Júlio Miragaya
  • 01/05/2024
  • 12:30

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Neste 1º de Maio, foi comemorado mais um Dia do Trabalhador. Em todo o mundo, a classe trabalhadora se organiza em seus sindicatos e centrais sindicais para resistir aos ataques da burguesia às suas conquistas históricas. Mas, além dessa luta, os trabalhadores têm que lutar também contra outra mazela que se acentuou nesses últimos anos de franco desenvolvimento tecnológico: o preconceito (e discriminação) contra o trabalho braçal ou manual.

Têm se tornado constantes os casos de total desrespeito aos trabalhadores de menor qualificação. Foi o caso recente, no Rio de Janeiro, do entregador Nilton de Oliveira. Ele foi ofendido, agredido e alvejado com um tiro por um cabo da PM/RJ por não ter atendido à “ordem” de levar a encomenda até seu domicílio, embora a norma diga que ela tinha que ser recolhida na portaria do condomínio.  

Este preconceito/discriminação tem suas raízes nos primórdios da civilização. Como, desde cedo, os primeiros Estados se estruturaram como sociedades escravistas, já na Mesopotâmia, no Egito e em outras regiões do Oriente Próximo e Médio, o trabalho braçal era considerado uma atividade direcionada aos escravos. 

Os gregos diferenciavam o trabalho intelectual, chamado “ergoni” do trabalho braçal, a que chamavam “ponosi”, que era atributo dos escravos. Na Grécia Antiga e no Império Romano, era considerado um disparate um cidadão grego ou romano exercê-lo.

Tal situação também era encontrada na China, na Índia e na Pérsia. Na Europa Medieval, com a substituição da escravidão pela servidão, o trabalho braçal tornou-se atividade concernente aos servos, notadamente no campo. Com o desenvolvimento do comércio e a expansão da manufatura nos nascentes burgos, os mestres e aprendizes, dedicados às atividades manuais, tornaram-se, com o advento da Revolução Industrial, o embrião do que viria a ser a classe trabalhadora,

Friedrich Engels, parceiro de Karl Marx, tratou dessa questão em “A situação da classe trabalhadora na Inglaterra”. Charles Chaplin imortalizou, em “Tempos Modernos”, como os trabalhadores manuais passaram a ser tratados: um ser humano desprovido de capacidade cognitiva, intelectual, talhado apenas para a atividade repetitiva, fazendo uso da força muscular. Desprovidos da mínima escolaridade e de qualificação profissional, eram e são tidos como intelectualmente incapazes, embora sua atividade, desprezada pelas elites e pela classe média que executam o chamado trabalho intelectual, seja peça central na geração de riqueza.

A legislação atual inibe casos escancarados, como o que relatei em artigo anterior, em que a Associação Metropolitana de Esportes Atléticos (AMEA/RJ), trazia em seu regulamento de 1923: “Não poderão ser registrados como jogadores de futebol: os que tirem seus meios de subsistência de qualquer profissão braçal, que dependam exclusivamente de esforços físicos; aqueles que exerçam profissões humilhantes que lhes permitam recebimento de gorjetas (garçons, taxistas, barbeiros etc.); os analfabetos e os que, embora tendo profissão ou emprego, estejam, a juízo do Conselho Superior, abaixo do nível moral exigido pelo amadorismo”. 

Isso ocorreu no Brasil há 100 anos. Mas, de forma dissimulada, ocorre aqui e em todo o planeta. Nos EUA, o trabalho braçal é executado essencialmente pelos negros, “chicanos” (migrantes latino-americanos) e asiáticos. Por lá, os trabalhadores por aplicativo já são 23 milhões. Nos países da Europa Ocidental, pelos imigrantes africanos, turcos e indianos/paquistaneses. 

Exercendo atividades que demandam pouca ou nenhuma qualificação profissional (entregadores, serventes da construção civil, faxineiras, empregadas domésticas, boias-frias, garis, estivadores, balconistas, vendedores ambulantes, operários de pequenas indústrias etc.), são normalmente assalariados sem carteira ou autônomos, com baixos rendimentos e sem a devida proteção social. 

Milhões vivem em situação de miséria ou muito próximo a ela, muitos levados à desesperança, e daí ao alcoolismo e a desestruturação familiar, descambando para a condição de moradores de rua, mendicância ou à prática de delitos. 

Esses trabalhadores braçais, em geral negros/pardos, migrantes e pobres, sofrem preconceito quádruplo: ponosfobia, racismo, xenofobia e aporofobia. Além do desprezo da sociedade “branca e civilizada”, dos apologistas da meritocracia, são também as maiores vítimas da violência policial e do judiciário.

A esses milhões de trabalhadores, as nossas homenagens neste 1º de Maio.

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Júlio Miragaya

Doutor em Desenvolvimento Econômico Sustentável, ex-presidente da Codeplan e do Conselho Federal de Economia

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