A Polícia Federal (PF) fez um pedido ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), solicitando uma extensão do prazo para investigar o caso do Banco Master. O pedido foi encaminhado ao relator na terça-feira (17). É comum que o STF atenda a solicitações desse tipo dos investigadores, e a decisão de Mendonça sobre a prorrogação deve sair nos próximos dias.
Os policiais ressaltam que ainda há uma quantidade significativa de material a ser analisado e periciado, incluindo documentos, computadores e celulares apreendidos durante a Operação Compliance Zero. Essa operação investiga um esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master sob a liderança de Daniel Vorcaro. Entre as práticas ilícitas estão a criação de carteiras de crédito falsas e o desvio de recursos, resultando em prejuízos estimados em mais de R$ 12 bilhões.
Em novembro de 2025, a primeira fase da Compliance Zero foi deflagrada, resultando em mandados de busca contra os principais executivos do Banco Master, incluindo seu presidente, Daniel Vorcaro. A justiça afastou também Paulo Henrique Costa, presidente do Banco de Brasília (BRB), devido a suspeitas de que o banco público teria injetado bilhões no Master em transações fraudulentas.
Em janeiro de 2026, uma nova fase da operação focou no rastreamento do dinheiro e na recuperação de ativos, com o bloqueio de R$ 5,7 bilhões em bens. Durante essa etapa, foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão em endereços relacionados a Vorcaro e seus familiares, resultando na apreensão de carros de luxo e dinheiro em espécie.
Recentemente, surgiram novas revelações sobre uma estrutura de coerção e infiltração nos órgãos reguladores. A PF identificou um grupo chamado ‘A Turma’, que atuava como uma milícia privada, encarregada de monitorar e intimidar adversários e jornalistas. Servidores do Banco Central também foram alvos da operação, suspeitos de atuarem como ‘consultores privados’ de Vorcaro.
Diante desses fatos, Vorcaro foi preso novamente, e o STF ordenou o bloqueio de até R$ 22 bilhões em bens. O grupo sob investigação enfrentará acusações de crimes como gestão temerária, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, além de obstrução de justiça.