A Oncoclínicas (ONCO3) confirmou na noite de domingo, 16 de março de 2026, a assinatura de um termo de compromisso não vinculante com a Porto Seguro (PSSA3) para a formação de uma nova empresa. A seguradora planeja investir R$ 500 milhões na Oncoclínicas, adquirindo ações ordinárias que garantirão o controle do capital votante da nova companhia, assegurando pelo menos 30% do capital social.
Nesta segunda-feira, as ações da ONCO3 apresentaram intensa volatilidade, alcançando R$ 2,14, com alta de 15,68%, mas encerraram o dia em queda de 0,54%, a R$ 1,84. As ações da Porto Seguro também fecharam em baixa, com uma queda de 4%, a R$ 47,34.
Segundo análise do Goldman Sachs, essa operação pode ser vantajosa para a Oncoclínicas, pois ajudaria a reduzir sua alavancagem. Nos últimos trimestres, a empresa enfrentou desafios para gerar fluxo de caixa orgânico e viu sua dívida líquida aumentar em cerca de R$ 1 bilhão em 2025, sem considerar o aumento de capital líquido de R$ 1,2 bilhão concluído em novembro de 2025.
Se as condições forem mantidas, o acordo pode reduzir a relação entre a dívida líquida e o EBITDA projetado para 2026 em 0,46 ponto, diminuindo-a para 2,9 vezes, considerando apenas o investimento em capital. O banco também destaca a vantagem estratégica da parceria, já que a Porto Saúde é reconhecida por suas métricas operacionais saudáveis. Com esse acordo, a Oncoclínicas pode priorizar pagadores de maior qualidade, potencialmente melhorando a conversão de EBITDA em fluxo de caixa para os acionistas no futuro.
Por outro lado, o Bradesco BBI apresenta uma visão mais crítica sobre o anúncio, considerando-o misto a negativo. A avaliação implícita da nova companhia, que pode alcançar até R$ 1,67 bilhão em valor patrimonial, representa um desconto de 20% em relação à capitalização de mercado atual da ONCO3 e de 47% em relação ao valor justo para o final de 2026. O BBI também lembra que a Oncoclínicas e a Porto já firmaram uma joint venture com distribuição de 60/40 em dezembro de 2022, com a PSSA representando entre 7 a 8% das receitas da ONCO.