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Geral

O novo vizinho

  • Redação
  • 11/10/2021
  • 15:56

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Anna Ribeiro (*)

Primeiro, ouvi um barulho insistente. E, como tudo que é insistente, chato. Batidas na parede como se fosse invadir o meu apartamento, o meu espaço. Um misto de impertinência e inconveniência. O que fazer: ligar na portaria reclamando ou fingir que não ouvia nada e que a minha rotina doméstica não se deixaria abalar por uma martelada ou outra.

Era uma obra estranha – em alguns dias muito intensa, em outros, calmaria. Parecia mais uma obra abandonada. Às vezes distraída, não me importava com o entra e sai constante. Ouvia o tumulto, as vozes. Confesso que algumas vezes me peguei com o ouvido colado à parede para escutar o lado de lá. Em vão. O mistério sobre o novo vizinho crescia e, com ele, as muitas hipóteses. Seria ele solteiro, casado, advogado, veterinário, piloto de avião?

Aos poucos crescia em mim um desejo quase incontrolável de desvendá-lo. Mas a obra parecia ainda longe de acabar. Uma coisa pouco habitual acontecia com frequência. À noite, mais precisamente na madrugada, o barulho aumentava, me tirando completamente o sono. Eu parecia ser a única incomodada com todo aquele estardalhaço. No dia seguinte precisava de xícaras e mais xícaras de café para enfrentar o dia. A noite era puro caos. 

Algumas poucas vezes cheguei em casa ao cair da tarde. O céu alaranjado como cenário e uma calmaria, uma quietude quase santa me assolavam. O silêncio do novo vizinho, o silêncio em mim. Tudo em paz. Nem mesmo os carros emitiam qualquer ruído. Apenas os faróis começavam a se acender como que para elucidar o segredo dessa dicotomia toda.

O vizinho barulhento e quieto sou eu. Sou eu que grito no calar da noite e no silêncio da tarde que cai. Sou eu essa tormenta e essa calmaria. Tudo acontece dentro de mim. O vizinho, na verdade, é o novo que se avizinha. Sinto-me como um hiato que só pode ser completado por si próprio. Fique tranquilo não é pleonasmo, é consciência plena de saber-se lacuna e exuberância.

Portas escancaradas ao novo que já não mais se avizinha, ao novo que habita em mim, em você e em qualquer um que esteja disposto a passar pelas dores de flertar com o desconhecido em si. Para ser livre a gente precisa ter a coragem de se saber acorrentado. Agora andamos tão íntimos, eu e este meu novo que saímos por aí de mãos dadas, tomando porres e falando besteiras. Depois, dormimos juntos e tomamos café como dois grandes amigos. 

(*) Escritora

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