O GDF não cuida de quem cuida de você

BSB Capital 17/01/2022 às 8:11, Atualizado em 19/01/2022 às 11:10

Profissionais de saúde são afetados duplamente: com aumento do volume de trabalho e, com maior exposição, também contraindo covid

Dr. Gutemberg, presidente do Sindicato dos Médicos do Distrito Federal

As Unidades Básicas de Saúde, Unidades de Pronto Atendimento e Emergências dos hospitais estão novamente lotados. Além da nova variante do coronavírus em circulação, a ômicron, vivemos um surto de gripe influenza e as duas coisas no período em que começa a aumentar a incidência de dengue, chikungunya e zika. Os profissionais de saúde são afetados duplamente: com aumento do volume de trabalho e, com maior exposição, também contraindo covid – adoecendo pela contaminação e pelo cansaço físico mental e emocional a que estão submetidos, especialmente desde o início da pandemia.

Segundo os boletins epidemiológicos da covid emitidos pela Secretaria de Estado de Saúde, entre o final de novembro e o final de dezembro de 2021, foram confirmados 31 casos de covid, dentre os quais 15 eram profissionais de saúde. Entre 31 de dezembro e 13 de janeiro, os casos de covid saltaram para 18.543 e 150 profissionais de saúde foram contaminados.

Para a imprensa a SES-DF informou, no dia 10, que havia 3.207 servidores afastados para cuidar da saúde: 146 por covid, 175 por gripe e 273 por outras doenças infectocontagiosas. Os demais casos não foram especificados, mas vão desde afastamentos decorrentes de gravidez a questões relacionadas à saúde mental.

Ocorre uma retroalimentação negativa ao já caótico atendimento aos pacientes que lotam as unidades de saúde: mais pacientes procuram as unidades de saúde, mais profissionais adoecem e precisam ser afastados, o que sobrecarrega os profissionais que ficam. E esses acabam adoecendo por maior exposição ou por estarem extenuados.

Importante destacar que a Organização Pan-Americana de Saúde, a Opas, aponta que o número de profissionais de saúde infectados pela covid-19 durante a pandemia foi três vezes maior do que o de profissionais infectados na Europa, no Canadá e nos Estados Unidos, este último, o recordista mundial de casos de infecção e óbitos por covid-19. Parte da explicação para isso é exatamente o tipo de situação instalada aqui no Distrito Federal.

O que se percebe nisso é que, apesar de dois anos de enfrentamento à covid-19, O GDF não faz um planejamento adequado nem dá condições dignas de trabalho aos profissionais de saúde, para que esses possam prestar o socorro de que nossos pacientes precisam.

E essa situação precisa mudar com ações efetivas do GDF. Um ponto primordial é o abastecimento das unidades de saúde com equipamentos de proteção individual em quantidade suficiente. E mais que isso, a contratação, com salários dignos, de profissionais em número adequado para suprir os serviços de saúde. E isso vale tanto para o enfrentamento da pandemia de covid-19 e da epidemia de gripe quanto para os demais atendimentos de que a população precisa.

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** Este é um artigo de opinião. A visão do autor não necessariamente expressa a linha editorial do jornal Brasília Capital

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