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Artigo

O chororô de lágrimas douradas!

  • Fernando Pinto
  • 27/08/2016
  • 11:08

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Motivado pelo sentimento xiita de brasilidade, se chorei às pampas na abertura da Olimpíada Rio 16, chorei mil vezes mais no transcorrer das três semanas dos jogos. E complementei, com uma enxurrada de lágrimas douradas, no espetáculo de encerramento no dia 21 deste agosto repleto de emoções, que começou no início da tarde de domingo, com a vitória da Seleção Masculina de Vôlei contra a Itália.

Mas não foi chororô de tristezas e sim de alegrias, basta conferir: quase todos os jogadores do time do técnico Bernardinho também choraram, principalmente o veterano Serginho, que participou de cinco Olimpíadas conquistando três Medalhas de Ouro e duas Medalhas de Prata; e se despediu das quadras aos 40 anos, que é considerada a idade de Matusalém para um atleta nessa modalidade.

Além do sétimo Ouro do Vôlei, a primeira medalha dourada foi conquistada no tatame por uma judoca de 24 anos, caracterizada como a cara do Brasil, negra e pobre: Rafaela Silva, nascida e criada na favela carioca Cidade de Deus. Com certeza, ela estimulou outras vitórias que viriam, aliviando a ansiedade de nosotros, sofridos torcedores: Thiago Braz, 22, no salto com vara, atingindo o recorde olímpico de 6,03 metros; Robson Conceição, 22, boxe, categoria leve; Alison e Bruno Schmidt, no vôlei de duplas; na regata à vela, Kaena Kunze, 25, e Martine Grael, 25, filha de Torbe Grael, maior medalhista olímpico do País com 5 pódios; e, finalmente, a Seleção comandada por Neymar, o craque que chorou durante 3 minutos com o rosto escondido na grama, depois de conquistar o gol que valeu ouro, vencendo a Alemanha e desforrando os humilhantes 7 a 1 no Campeonato Mundial, em 2014.

Para mim, o fato mais marcante do encerramento da Rio 2016, embalada pelo ritmo de música genuinamente brasileira – identificada por Vinicius de Moraes como algo ligado à tristeza –, aconteceu de surpresa e se transformou através da alegria explícita dos atletas de 206 países, que não paravam de sambar, confirmando os versos do saudoso poeta: “O Samba é a tristeza que balança. E a tristeza tem sempre a esperança de um dia não ser mais triste não”.

E nem poderíamos ficar tristes, até porque na Rio 2016 o Brasil galgou o 13º lugar, enquanto na anterior, em Londres 2012, ficou apenas no 22º.

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