O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios deflagrou, na quinta-feira (12), a Operação Blackboard, que investiga esquema de desvio de recursos públicos na Secretaria de Educação do GDF. As diligências incluíram buscas na sede da pasta, no Palácio do Buriti, e na Câmara Legislativa. Segundo as investigações, o esquema pode ter desviado mais de R$ 46 milhões destinados à educação pública.
São apuradas irregularidades relacionadas à locação de um imóvel para funcionamento de uma escola e de uma coordenação regional de ensino. A suspeita é de que o contrato tenha sido firmado com dispensa irregular de licitação e valores superfaturados. O MPDFT também suspeita de corrupção, fraude à licitação, peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Foram cumpridos 31 mandados de busca e apreensão no DF, em São Paulo, Goiás e Tocantins. As ações são conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), com apoio da Polícia Civil do DF.
Entre os alvos das buscas está o líder do governo na Câmara Legislativa, deputado Hermeto (MDB). Mandados de busca e apreensão foram cumpridos na residência do parlamentar e em seu gabinete.
Hermeto afirmou que não possui “qualquer gestão ou participação em contratos administrativos da Secretaria de Educação, que são de responsabilidade exclusiva do Poder Executivo. Os recursos destinados por meu mandato ao PDAF ao longo de sete anos foram aplicados em melhorias e manutenção de mais de 60 escolas públicas em todo o Distrito Federal. Confio nas instituições e permaneço à disposição para quaisquer esclarecimentos”.
A Secretaria de Educação informou, em nota, que o processo tramita sob sigilo. “A pasta permanece integralmente à disposição das autoridades competentes, colocando-se pronta para fornecer todas as informações e esclarecimentos que se fizerem necessários, com o propósito de colaborar de forma plena e institucional com os órgãos policiais e judiciais responsáveis pela condução das investigações e pela adequada elucidação dos fatos”.