Metrô à moda Japão

orlandopontesPor ,16/04/2018 às 11:00, Atualizado em 16/04/2018 às 11:00

Projeto foi lançado durante viagem para conhecer o sistema de transporte sobre trilhos do país asiático

Riella: “Joaquim Roriz era um líder absurdo, não só em Samambaia”. Foto: Reprodução/Twitter

 

 

 

O principal compromisso de Joaquim Roriz em sua primeira campanha como candidato a governador de Brasília pelo voto direto, em 1990, foi a implantação do transporte sobre trilhos na capital da República. A decisão de construir o metrô foi tomada durante um almoço que durou quatro horas no Hotel Aracoara. Participaram o jornalista Renato Riella, o engenheiro José Roberto Arruda, que havia sido secretário de Transportes de José Aparecido de Oliveira, e Fábio Simão, que trabalhava como secretário particular de Roriz.

No entanto, por uma estratégia de marketing, o anúncio do compromisso foi feito numa viagem de sete dias que Roriz fez ao país asiático acompanhado apenas da esposa, Weslian, e do próprio Riella. Arruda, que mais tarde viria a coordenar a obra do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) do Distrito Federal, não integrou a comitiva, embora sua participação tenha sido importante. Foi dele a sugestão, durante aquele almoço, de adotar o Japão como modelo para Brasília.

“Foi uma conversa histórica. Dali saiu a decisão de se fazer um metrô. Um mês depois, acompanhei Roriz e Dona Weslian numa viagem de uma semana ao Japão, onde estudamos profundamente a rede de trens e metrôs daquele país, ouvindo depoimentos técnicos e recolhendo material para pesquisa”. Direto de Tóquio, Riella escrevia os textos e enviava as fotos da agenda do candidato com os quais abastecia o noticiário dos jornais da época e fortalecia a imagem empreendedora de Roriz.

Marca

Joaquim Roriz começou a marcar a história do DF já em sua primeira administração (1988 a 1990) como governador indicado pelo então presidente José Sarney. Foi esse sucesso administrativo que o permitiu candidatar-se e vencer a primeira eleição direta para o GDF logo em seguida. Na campanha, o PT tentou impugnar a candidatura de Roriz. A alegação era de que a lei não permitia reeleição. Na Justiça, seu advogado conseguiu fazer valer o raciocínio de que não teria existido primeiro mandato porque houve nomeação. “A gente fez a metade da campanha com ele impugnado”, conta Riella.

Antes de se desincompatibilizar para concorrer ao pleito, Roriz negociou com Sarney a indicação de seu secretário de Obras, Wanderley Vallim, para substituí-lo. Durante a campanha, um vendaval destelhou milhares de casas em Samambaia, então um assentamento formado basicamente por barracos. Roriz telefonou para o radialista Walter Lima, que dera a notícia em primeira mão no início da manhã e, mesmo sem consultar Vallim, comunicou que toda a estrutura do GDF estava sendo transferidanaquele dia para Samambaia. “Ele era um líder absurdo, não só em Samambaia”, diz Riella.

O primeiro governo de Rorizpelo voto direto foi manchado por denúncias contra o então diretor do Senado, José Carlos Alves dos Santos, envolvido com os Anões do Orçamento. Para se livrar da acusação de mandado assassinar a mulher, Elizabeth Lofrano, José Carlos lançou suspeitas de que o ex-governador teria se envolvido em corrupção.“Ele estava preso pela corrupção na Papuda e tentou despistar sobre a morte da mulher. Roriz levou quase um ano para se livrar disso”, lembraRiella. “Roriz não tinha nenhuma relação com a apresentação de emendas ao orçamento da União que serviam para desvio de recursos públicos”, garante Riella.

Sucessor 

Em 1994, como não havia possibilidade de reeleição, Roriz precisava indicar um aliado para sucedê-lo. Apoiou o então senador Valmir Campelo. Mas o político não tinha o carisma do líder,  tampouco trato na relação com o eleitorado mais humilde e as lideranças comunitárias. Assim, a transferência de votos não ocorreu, e o ex-reitor da Universidade de Brasília (UnB), lançado pelo Partido dos Trabalhadores (PT), venceu as eleições. Mas Roriz derrotou-o na disputa seguinte, em 2002 e reelegeu-se em 2006.

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