A mais recente longa-metragem do aclamado cineasta português Ico Costa, intitulada *Balane 3*, teve sua estreia no mês passado e ainda está em exibição em um cinema de Lisboa. Curiosamente, essa estreia ocorre seis anos após a finalização das filmagens, que datam de 2019. A pandemia de Covid certamente contribuiu para o atraso, mas não foi o único fator envolvido. Inicialmente, o filme estava previsto para ser apresentado na edição do ano passado do IndieLisboa, mas isso não se concretizou devido a uma denúncia de violência doméstica que, agora, se revelou falsa.
Naquela ocasião, o festival de cinema independente de Lisboa, onde Costa já havia sido premiado em 2024 com *O Ouro e o Mundo*, decidiu desprogramar não apenas o filme que ele dirigiu, mas também outro projeto do qual foi produtor. A justificativa foi a "profunda sensibilidade às denúncias de violência" e a consciência de que o "contexto social e legal da violência de gênero muitas vezes revitima aqueles que fazem as denúncias", conforme explicação contida em um comunicado de abril do ano passado, ainda disponível na página do festival no Facebook.
Recentemente, novas informações surgiram, indicando que a acusação feita era infundada. Os fatos alegados foram considerados inventados, e a própria "Joana Sousa Silva", que se apresentou como a denunciante e afirmava ter tido um relacionamento de seis meses com o cineasta, não existe.
A CNN, que obteve acesso ao processo, informou que o principal suspeito por trás da denúncia calunosa é um homem, ligado ao meio artístico. Vários elementos, investigados pelas autoridades após a queixa, sugerem que a denúncia carecia de fundamentos.
Por exemplo, a conta de e-mail usada para encaminhar as mensagens ao Indie e a outros festivais estava registrada na Proton Mail, uma plataforma que permite o anonimato. Além disso, "Joana" aparentemente criou vários perfis falsos nas redes sociais para amplificar a suposta calúnia.
Um detalhe que se tornou crucial foi um novo e-mail enviado por "Joana" em junho do ano passado, onde afirma que Ico lhe teria feito uma "espera" no dia 13 desse mês. No entanto, nesse dia, o cineasta estava em Marrocos, conforme reportado pela CNN Portugal.
A emissora destacou que todas as tentativas de entrar em contato com "Joana" não tiveram sucesso. Ela havia sugerido um encontro de "várias vítimas de Costa" na sede da associação MUTIM, que apoia mulheres no cinema e no audiovisual, mas a associação nunca teve conhecimento desse encontro e não conversou com "Joana".
Quanto às "seis outras pessoas" que teriam sofrido "violência física e psicológica" por parte de Ico Costa ao longo de dez anos, conforme mencionado no e-mail original, ninguém conseguiu identificá-las ou contatá-las. Além disso, não há informações sobre as "novas denúncias" que teriam levado à desprogramação dos dois filmes. A denúncia contra Ico Costa foi inicialmente divulgada pela página de Instagram Maisumcasting, que posteriormente se retratou ao perceber a falsidade da acusação.