Imprensa marrom cada vez mais marrom contra Lula

bsbcapitalPor ,05/02/2016 às 21:44, Atualizado em 09/07/2016 às 3:37

Chico Vigilante (*)   Os mais jovens, eventualmente, desconhecem a expressão imprensa marrom. Ela significa o uso pela mídia de calúnias, mentiras e meias verdades lançadas fora do contexto para se alcançar determinado fim, de caráter espúrio. Exatamente o que vem sendo feito de forma orquestrada contra Lula pela Veja, Época, O Globo, Folha de …

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Chico Vigilante (*)

 

Os mais jovens, eventualmente, desconhecem a expressão imprensa marrom. Ela significa o uso pela mídia de calúnias, mentiras e meias verdades lançadas fora do contexto para se alcançar determinado fim, de caráter espúrio. Exatamente o que vem sendo feito de forma orquestrada contra Lula pela Veja, Época, O Globo, Folha de São Paulo, Estadão, etc.

Inspirada na expressão americana yellow press (“jornalismo amarelo”), surgiu no final do século XIX, com a concorrência entre os jornais New York World e The New York Journal, em guerra pela publicação das aventuras de Yellow Kid, a primeira tira em quadrinhos da história. O amarelo virou sinônimo de imprensa sem escrúpulo e no Brasil do final da década de 1950 a expressão teve sua cor alterada para marrom, quando a redação do jornal carioca Diário da Noite recebeu a informação de que uma revista chamada Escândalo extorquia dinheiro de pessoas fotografadas em situações comprometedoras.

O jornalista Alberto Dines preparava para a manchete do dia seguinte algo como “Imprensa amarela leva cineasta ao suicídio”, quando o chefe de reportagem Calazans Fernandes, diante do caráter trágico da notícia, sugeriu substituir a cor da imprensa de amarela para marrom.

No Brasil de hoje o uso da expressão imprensa marrom para qualificar a grande mídia cai como uma luva – esta imprensa da calúnia e da farsa em prol de objetivos políticos da direita. Qual o motivo de O Globo ter atacado o advogado do ex-presidente Lula, em relação à Odebrech, mesmo sem ler o processo? Tentativa desesperada de  culpabilizar Lula, com ausência total de profissionalismo. O Jornal dos Marinho acusou o escritório Teixeira Martins, o mesmo que defende Lula, de ter advogado para a Odebrecht, na tentativa de enredar Lula na Operação Lava Jato. Será que mandaram um estagiário fazer a matéria ou o erro foi proposital?

A verdade dos fatos foi que, como esclareceu o advogado Cristiano Martins, a firma recebeu honorários da Odebrecht porque a empreiteira foi forçada a pagar sucumbência numa causa perdida, quando o escritório defendia exatamente o cliente que estava contra a Odebrecht. Que mico!

Qual a intenção da Folha de S. Paulo ao publicar na quinta-feira (28), que o ex-presidente Lula deve morrer para o Brasil crescer? Qual a intenção da RBS ao permitir que em um dos programas de maior audiência do grupo na Rádio Atlântida FM, o locutor do “Pretinho Básico” incite os ouvintes a “cuspirem” na cara do ex-presidente Lula, afirmando, entre outras atrocidades, que “um sujeito desses é digno de uma cusparada”.

Esses discursos de ódio e incitação à violência pública são crimes previsto pelos artigos 286 e 287 do Código Penal, (incluindo na internet) e sujeitos à pena de detenção.

Por que razão a RBS, a Folha e outros consentem com a incitação à violência de seus profissionais contra atores políticos? A intenção é que sejam espancados ou retirados à força da cena política, como na época da ditadura? Quem defende a doutrina do ódio contribui para a naturalização e o agravamento da violência praticada no país. É isso que a Folha de São Paulo quer ao dizer que Lula tem que morrer?

Esse discurso vai além da discriminação à figura de Lula. É contra seu legado político: a tolerância às diferenças, a promoção da igualdade e da justiça social.

Qual a intenção da Folha, no sábado (30), em sua manchete principal, ao afirmar que  a aquisição por Marisa Letícia  da canoa de lata a aproximaria do sítio em Atibaia (SP), usado pelo ex-presidente e seus familiares? Obviamente, má-fé.

A Revista Época, em abril de 2015, já havia tratado do assunto, atualmente mais do que velho, mostrando inclusive a nota fiscal da compra do barco.

O melhor comentário a respeito foi a indignada manifestação do senador Roberto Requião: “O crime de Marisa? Não os mandarei se lixar nas ostras! Mas vão à PQP”, escreveu Requião em sua página na internet.

Qual é a intenção do editor-executivo Sérgio Dávila, da Folha, ao passar  mensagem aos seus assinantes sugerindo que a luta de Lula pela sobrevivência política agravará a crise econômica? Ele quer dizer que massacrando Lula, tirando dele toda e qualquer possibilidade de voltar ao poder, a situação econômica no Brasil vai milagrosamente melhorar. A culpa de tudo é de Lula. Piada!

Quando o colunista da Folha, Sérgio Malbergier, afirma que “Lula vai colocar seu bloco na rua, mesmo gerando mais instabilidade política e turbulência econômica… e que “a luta pela sobrevivência política de Lula será dura e cara… e adivinhe quem vai pagar essa conta”, a linha editorial da Folha quer que o leitor tenha a seguinte conclusão: a culpa pela turbulência não é da direita que quer matar uma liderança com a expressão de Lula, mas sim será agravada pela luta das esquerdas no país pela manutenção da democracia.

O que eles querem? que a direita bata, arme, pinte e borde e que a esquerda fique calada, amedrontada, sem ação? Isso não vão conseguir. Podem tirar o cavalinho da chuva. O que há de se indagar aos proprietários dos grandes veículos da mídia de direita brasileira – alguns dos quais já se retrataram publicamente nos últimos anos por terem cometido erros históricos, como o apoio à ditadura- é se vão continuar a publicar editoriais, reportagens e artigos que demonstram o contrário.

Todos os cidadãos e movimentos sociais e políticos democráticos deste país entendem que com este comportamento a grande mídia passa o recado de que concorda com incitação ao crime; concorda e defende que Lula seja agredido; aceita ser corresponsabilizada por qualquer agressão a ele; considera que o papel da imprensa é incitar ao crime e promover o discurso de ódio.

O PT e a esquerda brasileira devem se unir e se mobilizar decisivamente contra essa agenda policialesca direcionada, com processos de culpabilização sem apresentação de provas; e contra a ação da imprensa que incita abertamente o clima de divisão e ódio no país.

(*) Deputado Distrital (PT-DF)

 


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