Entrevista / Paulo Octávio e André Kubitschek

BSB Capital 25/05/2022 às 14:00, Atualizado em 30/05/2022 às 15:39

Bisneto de Juscelino busca primeiro mandato eletivo, abrindo mão da carreira nas empresas do pai. Entro na política realmente de coração

Para honrar o legado de JK

Orlando Pontes

Aos 72 anos, Paulo Octávio Pereira é um dos empresários mais bem-sucedidos de Brasília. André Octavio Kubitschek, 29, é o caçula de PO com Anna Christina, neta de Juscelino, fundador da cidade.

Político experiente – foi deputado federal, senador, vice-governador e governador por 15 dias –, PO pretende concorrer ao Senado nas eleições deste ano. AK vai disputar uma vaga proporcional – deputado federal ou distrital. Ambos são filiados ao PSD.

Nesta entrevista concedida ao Brasília Capital na terça-feira (24), no escritório de PO, no hotel Manhathan, falam de seu amor pela cidade criada por JK e de suas bandeiras para tentar obter seus mandatos eletivos.

André fez cursos de Administração de Finanças no exterior e formou-se em Direito pelo UniCeub – recentemente obteve o registro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Embora seja herdeiro de um “império”, se diz disposto a abraçar a política para honrar a história da família, especialmente do bisavô.

“Encaro como um desafio e algo que vejo que vou poder, de alguma forma, tentar transformar e melhorar a qualidade de vida das pessoas, incentivar os empresários e trabalhar. É somente participando da política que a gente vai poder incrementar, ajudar, transformar e desenvolver vários aspectos da vida cotidiana, inclusive do setor empresarial”.

Vocês têm praticamente uma chapa pronta para as eleições de outubro dentro de casa. Seria um senador, uma vice-governadora e um deputado. Como anda esta conversa em família?

Foto: Antonio Sabino

PO – A família tem um grande compromisso com a cidade, um compromisso histórico de preservação de Brasília, com os ideais implementados pelo governo Juscelino. Nós temos um compromisso com o fundador e com os ideais republicanos daquela época. De um momento em que o Brasil cresceu muito. A Anna Christina é presidente do Memorial JK, um dos monumentos mais visitados e apreciados em Brasília. A gente tem procurado trabalhar por Brasília. Eu cheguei aqui em 1962 e fiz minha vida toda aqui. Há 60 anos trabalho em Brasília e por Brasília. Como empresário, eu nunca fiz investimentos fora de Brasília. A gente sempre fomentou o desenvolvimento de todas as cidades. Fui o primeiro empresário a construir em Samambaia, em Taguatinga, em Ceilândia, no Guará… A gente tem um sentimento de desbravador. Sempre estive nas entidades de classes. Fui da Associação Comercial, fundei a Ademi e atualmente presido o Lide – Líderes Empresariais, sempre buscando uma convergência do setor produtivo, a interlocução com os governos. Estou casado há 32 anos com a Anna Christina, que é neta do fundador e tem um compromisso enorme com a cidade. Tenho dois filhos com ela – o André e o Felipe – e dois do meu primeiro casamento. Com o passar do tempo, fui observando que o André é um jovem preparado e com grande interesse por Brasília. Felipe, o mais velho, se interessa muito pela vida empresarial e não tem vocação política. Mas desde cedo a gente sentiu que o André tem uma veia política. É um grande agregador, um articulador. E por espontânea e livre vontade, ele está dando os primeiros passos na caminhada, que é de grande responsabilidade. Não é fácil levar o nome do fundador de Brasília numa eleição. Mas eu acho que ele pode contribuir muito com a cidade.

André, depois dessa apresentação de seu pai, um dos empresários mais importantes de nossa cidade, como pretende carregar essa responsabilidade?

AK – A minha intenção de entrar na política é realmente de coração. Eu sempre digo que amo essa cidade incondicionalmente, e tenho nome e sobrenome importantes, que tenho que honrar. Tenho a responsabilidade de dar continuidade a esse legado, que foi Kubitschek para o Brasil e para Brasília. Encaro como um desafio e algo que vejo que vou poder, de alguma forma, tentar transformar e melhorar a qualidade de vida das pessoas, incentivar os empresários e trabalhar. Meus primeiros passos na política serão em direção à melhoria de nossa sociedade.

Paulo, como pai e como empresário importante da cidade, o que você recomendaria para seu filho na carreira política?

PO – A vida de político é uma vida de sacrifícios, de abnegação, de perseverança. É uma vida de entender as dificuldades das camadas mais carentes, e a convivência com as pessoas em dificuldade. É tentar ajudar as pessoas e melhorar a cidade. Então, eu acho que o político deixa de ser ele próprio e passa a ser o instrumento de desenvolvimento social e econômico. É o político que busca esse desenvolvimento. Ele é o vetor, ele que conduz. As grandes mudanças no mundo foram feitas pelos políticos, com boas cabeças que idealizaram grandes projetos que foram melhorando a vida das pessoas. No nosso caso, se não fosse a perseverança do bisavô do André nós não estaríamos aqui. Eu sou do Sul de Minas Gerais e provavelmente estaria morando no interior. Se não existisse Brasília, todas essas três milhões de pessoas que habitam aqui hoje não estariam aqui. Então, foi a perseverança e determinação de JK que tornou tudo isso possível. Quando eu fui o mais votado deputado federal em 1990, eu tinha uma grande influência no governo Roriz. Minha sogra, Márcia, avó do André, era vice-governadora. Foi um período em que muita coisa se realizou. Começamos a construção de novas cidades – Samambaia, Paranoá, Santa Maria –, que hoje fazem com que a vida de Brasília seja melhor para todos. Se não, hoje nós teríamos uma cidade inviável. Em 1991, eu ajudei a conseguir recursos do BNDES para a construção do metrô. Recebíamos críticas contundentes. E foi um movimento político importante naquele momento, com o apoio da minha sogra, com o apoio do Roriz, com meu apoio e da bancada no sentido de fazer com que a cidade avançasse e tirasse aquele pensamento pequeno de que Brasília não pode crescer, tem que ficar reduzida ao Plano Piloto. Houve um desenvolvimento natural. Houve crescimento. E Brasília passou a ser um polo irradiador de riqueza para toda a região Centro-Oeste. Esta é uma cidade-síntese do Brasil, que agrega todas as vertentes brasileiras. O Brasil se reúne em Brasília.

André, depois dessa orientação do seu pai, está claro que você preferiu ser um Kubitschek a um Octávio – político em vez de empresário. Está mesmo disposto a ir para esse sacrifício?

Foto: Antonio Sabino

AK – Sim, porque vejo a importância da política. Por mais que a gente tenha uma boa base empresarial, a política, querendo ou não, move montanhas. A política é importante para o desenvolvimento econômico e social. E quem não está ativamente presente participando da política acaba sendo governado por aqueles que estão e que gostam. Isso me preocupa, porque eu vejo que nem todo mundo tem boas intenções. Então, se a gente deixar nas mãos de pessoas que não têm boas intenções, e querem tomar proveito próprio, a gente pode ter um atraso econômico e social. É somente participando da política que a gente vai poder incrementar, ajudar, transformar e desenvolver vários aspectos da vida cotidiana, inclusive do setor empresarial.

Paulo, você sempre foi um político moderado, de centro. E está próximo ao governador Ibaneis. Como imagina que será a campanha com essa polarização no País entre Lula e Bolsonaro?  Como Ibaneis vai se posicionar?

PO –  Eu vejo que nós vamos ter muitas emoções até 30 de julho, data-limite das convenções partidárias. Tudo pode acontecer. Na última eleição houve uma mudança radical, com a desistência do Frejat. Nesta, hoje estamos apoiando o governador Ibaneis, que faz uma gestão profícua. Uma gestão boa tanto na área de obras como de responsabilidade social, que foi o tema do debate que eu fiz no Lide, semana passada. Na minha visão, depois da pandemia vamos passar por uma nova ordem econômica mundial, onde tem que se preocupar com as pessoas mais carentes. Não adianta desenvolver os países e deixar uma população à margem. Então, o social está sendo, e tem que passar a ser, uma preocupação minha, do André, uma preocupação de futuro, porque não adianta eu viver numa cidade que tenha 300 mil desempregados, onde a questão e violência vai aumentar, a questão social vai aumentar. Não adianta viver numa cidade onde a gente possa ter problemas no futuro. A responsabilidade social é o grande tema do futuro, e tem que passar por essas eleições. Todo mundo, e não é só governo, deve se preocupar com ele. A responsabilidade social parte de todo cidadão, de todo empresário micro, médio, pequeno, grande. Não posso pensar só em mim. Tenho que pensar que em volta de mim tem um mundo de pessoas que precisam de mais atenção.

André, conte como vai tentar convencer as pessoas a comparecerem às urnas no dia 3 de outubro para votar em você?

AK – Eu acho que a gente está vivendo um momento muito turbulento e inseguro politicamente. Está na hora de uma mudança, de uma renovação. O meu papel e meu incentivo para entrar na política é puramente para melhorar a qualidade de vida das pessoas. Agregar, somar, acrescentar em todos os sentidos. Essa é minha intenção. Ao fazer isso, estou, de certa forma, ou de uma nova forma, como você mencionou, saindo da minha zona de conforto, saindo da minha empresa, onde trabalho, onde tenho uma vida. Eu tenho uma certa responsabilidade com essa cidade. Aqui eu cresci, aqui eu estudei, fiz minhas amizades. Aqui eu me formei, me profissionalizei. Eu amo essa cidade incondicionalmente. Meu desejo é puramente vê-la crescer, desenvolver de forma ordenada. Quero fazer política com inteligência, para melhorar a qualidade de vida das pessoas em todos os aspectos sociais e econômicos.

Foto: Antonio Sabino

Paulo, como disse o André, o Brasil vive um momento de turbulência. Como o PSD pode contribuir para aparar tantas arestas na política nacional no momento?

PO – O PSD tentou lançar uma alternativa no pleito para presidente da República. Nós apoiamos, inicialmente, o Rodrigo Pacheco, mas ele acabou preferindo cumprir sua missão como presidente do Senado Federal. Depois, aventou-se a possibilidade do ex-governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite. Mas também não prosperou. Então, a definição do partido é liberar os estados para que cada um siga o caminho mais apropriado. Estamos, democraticamente, liberados para apoiar o candidato da terceira via, ou Lula, ou Bolsonaro. O partido vai se preocupar em eleger deputados, senadores e governadores. A questão presidencial será definida na convenção nacional, em julho.

André, você já traçou um plano de trabalho? Quais são suas propostas para melhoria da qualidade de vida das pessoas?

AK – Acho importante as pessoas se profissionalizarem. Então, incentivar cursos profissionalizantes é uma coisa que eu gostaria muito de fazer. A educação é o alicerce de qualquer sociedade. Eu vejo que isso vai incrementar, e muito, nosso empreendedorismo, nossa geração de empregos. As pessoas precisam disso e eu vejo que isso é algo que está em falta hoje. Também defenderei bandeiras como o esporte, que é fundamental para a saúde, para as pessoas não ficarem ociosas, principalmente crianças e adolescentes. É nessa condição que acabam, muitas vezes, tomando decisões equivocadas. Então eu sou um defensor do esporte. Sou também um defensor do meio ambiente. Acho importante sempre preservar o meio ambiente, porque é um patrimônio que pode perecer algum dia. A gente tem que sempre valorizar e proteger o meio ambiente.

Paulo, em Brasília o caminho do PSD deve ser apoiar a reeleição de Ibaneis?

PO – A princípio, sim. Sou pré-candidato ao Senado. O André está definindo se vai sair para deputado federal ou distrital. Nós estamos estudando bem o que é melhor para ele, para o partido e para a cidade. Estamos conciliando as coisas. Nós ainda não temos uma condição fechada. Estamos conversando com as pessoas que caminham comigo na vida pública há mais de 30 anos para ver o melhor caminho que ele possa trilhar nessa eleição.

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