Caroline Romeiro (*)
A motovelocidade é um esporte em que frações de segundo dependem não apenas da máquina, mas também da capacidade física e mental do piloto. Em provas como a etapa brasileira da MotoGP, realizada neste fim de semana no Autódromo Internacional Ayrton Senna, em Goiânia, os atletas enfrentam alta exigência cardiovascular, grande sobrecarga muscular em pescoço, ombros, tronco e membros inferiores, além de intenso desgaste térmico dentro do macacão e sob altas temperaturas da pista.
Por isso, a preparação nutricional dos competidores é planejada para manter hidratação rigorosa, estabilidade glicêmica e preservação da atenção, já que mesmo pequenas perdas hídricas podem comprometer reflexos, tomada de decisão e precisão motora — fatores decisivos em um esporte de altíssima velocidade.
Na rotina dos pilotos, a alimentação prioriza refeições leves, fracionadas e de alta digestibilidade nas horas que antecedem treinos e corridas. Carboidratos complexos, proteínas magras, frutas e fontes de gorduras boas ajudam a sustentar energia sem desconforto gastrointestinal, enquanto o controle do volume alimentar antes da largada evita sensação de peso abdominal sob aceleração intensa.
Após cada sessão, o foco recai sobre recuperação muscular e reposição de líquidos e eletrólitos, especialmente porque a combinação de calor, concentração extrema e tensão muscular prolongada eleva significativamente o custo fisiológico da prova.
Para o público apaixonado por motovelocidade que estará na capital goiana acompanhando os treinos, classificações e corridas — com atividades iniciando a partir das 7h30, e programação distribuída até o domingo — a recomendação também é pensar a alimentação como aliada da experiência.
Permanecer muitas horas no autódromo exige atenção à hidratação contínua, especialmente sob sol forte, e escolhas alimentares que mantenham energia estável: sanduíches leves, frutas, castanhas, água e bebidas sem excesso de açúcar ajudam mais do que refeições pesadas, frituras e longos intervalos em jejum, que favorecem sonolência, mal-estar e oscilação de energia ao longo do dia.
A etapa brasileira da MotoGP, com sprint no sábado e corrida principal no domingo às 15h, também é uma oportunidade de lembrar que grandes eventos esportivos mobilizam hábitos de vida: assistir a uma competição de alto rendimento pode inspirar escolhas mais conscientes no cotidiano.
Assim como os pilotos dependem de planejamento nutricional para manter foco em cada curva, quem acompanha a prova também se beneficia de organização alimentar simples: café da manhã completo antes de sair, lanche intermediário e consumo regular de água são medidas pequenas, mas que fazem diferença para aproveitar o espetáculo com disposição do início ao fim.
(*) Mestre em Nutrição Humana, coordenadora Técnica do Conselho Federal de Nutrição e docente do Curso de Nutrição da Universidade Católica de Brasília