Lucia Ivanow (*)
O povo brasileiro, como outros povos de todos os continentes, ama futebol! Sediar uma Copa do Mundo é desejo que nem todo país consegue concretizar. Mas, no dia 30 de outubro de 2007, sob o governo Lula, vencendo a disputa com países importantes, o Brasil foi anunciado pela Fifa como sede da Copa de 2014. Era a realização de um sonho que foi celebrado de norte a sul no Brasil, que havia sediado a Copa de 1950 e apenas 64 anos depois as novas gerações teriam a oportunidade de viver esse momento privilegiado do esporte.
Começou-se, então, a preparação da festa para celebrar o esporte e receber gente de todo o mundo, com suas cores, sua festa, sua cultura, sua alegria. A expectativa era grande e a alegria era geral. Mas a direita brasileira, que odeia ver o povo feliz, não poderia permitir o desfrute dessa forma de felicidade genuína, principalmente sob o governo da presidenta Dilma, que a direita tratava de solapar, difamar e boicotar diuturnamente, por todos os meios. E inventou o “Não vai ter Copa!”
Cinicamente, sob o argumento de que o dinheiro investido estaria sendo desviado da saúde, da educação e da segurança, coisas em que a direita que governa o Brasil há séculos nunca investiu, banqueiros, imprensa, empresários, fazendeiros, escolas confessionais trabalharam incansavelmente para fazer o povo odiar a festa que não era apenas sua, mas do mundo todo.
Não bastasse a mentira sobre o suposto desvio de dinheiro para fazer Copa, esconderam o posterior uso dos equipamentos construídos para esporte de todas as modalidades, para a educação, para as comunidades! Esconderam a entrada de divisas, de grana que os milhares de turistas trariam, como de fato trouxeram, durante a Copa, e insuflaram um desconhecido e repentino ódio à competição que o povo sempre amou.
Para nossa vergonha, a direita azedou a cerimônia de abertura transmitia para o mundo todo com a maior demonstração de incivilidade cometida contra a mulher que presidia o País. Obscureceu a festa linda dos povos, amargurou a alegria e a seleção brasileira, que, pouco comprometida com o esporte e de maioria direitista, coroou o desastre com os humilhantes 7 a 1 da Alemanha sobre o Brasil.
No meio do fel injetado na alma do povo, colocou-se o Estádio Mané Garrincha, cuja construção, ainda em 18 de julho de 2007, fora anunciada pelo então governador José Roberto Arruda. O estádio teria, aproximadamente, 100.000 lugares, o que o tornaria o maior das Américas e um dos maiores do mundo.
Como o governador Agnelo Queiroz, do PT, continuou sua construção, a mesma direita que havia aplaudido a decisão de construir o estádio no governo anterior – nada mais normal que um grande estádio na capital do “País do Futebol” – sem o menor pudor, fingiu mudar de opinião. E o que seria “o maior estádio das américas”, começou a ser chamado de “elefante branco”, antes mesmo de existir.
Em vez de ser visto como potencial econômico, instrumento fundamental para o desporto da capital e sede de grandes eventos, como de fato se tornou, carimbaram sua construção com a marca da corrupção. E assim foi tratada a obra, sem que houvesse prova de alguma irregularidade.
E desde então Agnelo vem pagando o preço da difamação, da acusação sem prova, da condenação na imprensa, antes de qualquer julgamento em qualquer tribunal, com sua saúde, com sua história de vida, com a dor, com o patrimônio de sua família e com a humilhação pública.
Hoje, depois de tanto tempo e de tantos eventos bem-sucedidos no Mané Garrincha, como a recente final da Supercopa do Brasil entre Corinthians e Flamengo, com mais de 70 mil pagantes, não podemos esquecer o que fizeram a Agnelo. Não podemos esquecer seu sofrimento, ignorar a má vontade geral, à direita e à esquerda, em ouvir a versão do governador que concluiu a obra do Mané.
Não podemos fingir que não vemos como a imprensa vem ignorando e até escondendo sua absolvição em 29 processos, por inconsistentes, plenos de acusações infundadas, sem provas, mentirosos mesmo. Assim, nem mesmo a Justiça que temos, que conhecemos bem e sabemos a quem serve, pôde condená-lo. Não podemos esquecer aquilo que levou um governador comprometido com o bem-estar da população do DF à derrota nas eleições.
Em 1º de fevereiro de 2026, o Mané Garrincha, que homenageia um gênio do futebol, passou no teste da Democracia Corinthiana do Doutor Sócrates e os Gaviões da Fiel fizeram ecoar sua voz, sua bravura e seu amor ao futebol no Planalto Central! Ninguém pode fingir que não viu! E ninguém pode fingir que o Mané Garrincha não lembra a saga de Agnelo Queiroz para construí-lo ou o preço que ele pagou por isso.
Se apenas com um pau se faz uma canoa, uma injustiça se faz com má intenção, com mentiras muitas vezes repetidas. Faz-se também com o silêncio conivente da imprensa e com a injustiça! Mas não é tarde para dizer: “Agnelo Queiroz, mesmo que não tenhamos sido nós os seus algozes, aceite nossas desculpas e toda a nossa solidariedade!”.
(*) Aposentada e ex-diretora do Sindicato dos Professores no Distrito Federal (Sinpro-DF)