Caroline Romeiro (*)
A dieta carnívora, que defende o consumo quase exclusivo de carnes e alimentos de origem animal, tem ganhado espaço nas redes sociais como solução rápida para emagrecimento e melhora da saúde. No entanto, é preciso cautela. A maior parte do que se divulga na internet vem de relatos pessoais e não de estudos científicos sólidos.
Pesquisas disponíveis em bases como o PubMed mostram que existem poucas evidências robustas sobre a segurança e os efeitos dessa dieta no longo prazo, especialmente quando adotada de forma contínua e sem acompanhamento profissional.
O principal ponto de atenção é a exclusão completa de alimentos vegetais, como frutas, verduras, legumes, cereais e leguminosas. Esses alimentos são fontes naturais de fibras, vitaminas e minerais fundamentais para o bom funcionamento do organismo.
A fibra, por exemplo, é essencial para a saúde do intestino, para o controle do colesterol e da glicemia e para a prevenção de doenças cardiovasculares. Sem ela, aumentam os riscos de constipação, alterações da microbiota intestinal e outros problemas metabólicos.
Além disso, a retirada desses grupos alimentares pode levar à deficiência de nutrientes importantes, como vitamina C, folato, magnésio e potássio, que não estão presentes em quantidade suficiente em carnes.
Embora algumas pessoas relatem perda de peso rápida, isso geralmente ocorre pela redução drástica de calorias e carboidratos, e não significa que a dieta seja equilibrada ou segura.
Resultados rápidos não substituem a necessidade de uma alimentação completa, variada e sustentável ao longo do tempo. Por isso, antes de seguir qualquer dieta da moda, é essencial buscar orientação profissional.
O nutricionista é o profissional habilitado para avaliar as necessidades individuais, analisar riscos, corrigir deficiências nutricionais e construir um plano alimentar baseado em evidências científicas.
Mais do que seguir tendências da internet, investir em acompanhamento nutricional é escolher saúde, segurança e qualidade de vida a longo prazo.
(*) Mestre em Nutrição Humana, coordenadora técnica do Conselho Federal de Nutrição (CFN) e docente da Universidade Católica de Brasília (UCB)