Brasiliense paga para ser enganado

BSB Capital 18/07/2022 às 9:48, Atualizado em 19/07/2022 às 15:05

Governo usa propaganda oficial, bancada com dinheiro público, para maquiar os dramas reais da população

Foto: Reprodução Agência Brasília

Da Redação

De jornal a blog; de mídia tradicional a alternativa; de propaganda em circuito fechado de TV em restaurantes a adesivos em ônibus. A “folha de pagamento” com anúncios e reportagens “positivas” para o governante de turno é dispendiosa para o contribuinte do Distrito Federal.

No primeiro trimestre deste ano, apenas a Secretaria de Comunicação do GDF – sem contar outros órgãos da estrutura oficial, como BRB, Terracap e Detran, por exemplo – consumiu R$ 41.851.644,92 dos suados impostos recolhidos pela população.

A tendência é de que este valor, no mínimo, dobre, quando forem publicizados os gastos do segundo trimestre. Isto em pleno ano eleitoral, o que, para especialistas, gera um desequilíbrio na disputa de 2 de outubro.

“Afinal, todos os adversários do candidato à reeleição estão fora dessa mídia paga e dos “créditos” naturalmente gerados por ela junto aos veículos contemplados pela verba”, diz um publicitário experiente nesse tipo de “troca-troca”, como ele define.

R$ 1 bilhão

O Brasília Capital já mostrou, em edições anteriores, que ao longo dos primeiros três anos e meio da gestão Ibaneis Rocha (MDB) o GDF gastou quase R$ 1 bilhão em propaganda – este valor, certamente será superado quando contabilizadas as despesas do exercício de 2022. E propaga como feitos positivos eventos duvidosos para o interesse do conjunto da população brasiliense.

Alguns exemplos são o baixo investimento nas escolas durante a pandemia, a militarização de unidades de ensino público, o discutível atendimento a famílias carentes nos CRASs, a polêmica obra do túnel de Taguatinga e seus benefícios para populações não atingidas por ela, e o caos nos hospitais da rede oficial.

Tudo isso é apresentado como verdadeiras “conquistas” da população nos filmes e demais peças publicitárias cujo pagamento para produção e veiculação sai diretamente do bolso do cidadão que recolhe impostos. Com o talento dos publicitários e a farta distribuição de dinheiro, os dramas reais da população sempre têm um “final feliz”, como nos filmes de Hollywood.

Farra com dinheiro público

Para comprovar a denúncia de malversação dos recursos públicos, a reportagem recorreu, mais uma vez, às fontes especializadas, que jogaram luz sobre os números das tabelas de pagamento de blogs, sites, jornais, rádios, TVs, produção etc. da Secom do GDF. A farra inclui publicidade em mobiliários urbanos, como outdoors, banners, adesivos, bussdoors e até TVs de circuito fechado.

De janeiro a março, por exemplo, o GDF gastou R$ 114.690,84 com adesivos, conforme declara a própria Secom no Portal da Transparência. Outros R$ 320.650,00 foram torrados com fotografia. Interessante nesse item é que o GDF, na própria Secom, com um departamento de fotografia e uma equipe de vídeo da Agência Brasília. Os dois setores, juntos, têm no mínimo dez funcionários.

Debaixo dessa aba de produção está o pagamento à High Connect, que recebeu R$ 400.328,13, ao site uaifacil.com.br, agraciado com R$ 199.037,16, e a Weach Publicidade: R$ 100.082,50.

Jornais impressos são todos iguais?

Entre os jornais impressos, a Secom trata com certa paridade os três veículos que se apresentam como diários na Capital da República – o Correio Braziliense, o Jornal de Brasília e o jornal Brasília Agora. Eles foram aquinhoados, respectivamente, em três meses, com R$ 790.260,14; com R$ 1.028.780,36 e com R$ 580.188,75.

“Há que se averiguar o impacto de mídia e o peso que cada um deles tem. É o que chamamos de mídia técnica”, diz o publicitário. Segundo ele, os dados disponíveis no Portal da Transparência precisam ser verificados pelo Ministério Público do DF e Territórios e pelo Tribunal de Contas do DF, que têm como atribuição investigar o uso do dinheiro público.

Gastos com publicidade do GDF em 3 meses

Sites e blogs

Site metropoles.com:     R$ 1.782.559,10

Site correiobraziliense.com.br: R$ 983.842,47

Portal R7.com: R$ 547.284,96

Site jornaldebrasilia.com.br:  R$ 313.111,00

Site diariodopoder.com.br: R$ 268.873,49

Rede MobTv:  R$ 201.745,80

Site notibras.com:  R$ 166.223,69

Site brasiliaagora.com.br: R$ 64.742,50

Site poder360.com.br:   R$ 53.837,92

Site globo.com: R$ 53.141,20

Produção de adesivos: R$ 114.690,84

Fotografia: R$ 320.650,00

Mídia alternativa:

High Connect: R$ 400.328,13

Site uaifacil.com.br: R$ 199.037,16

Weach Publicidade: R$ 100.082,50

Jornais impressos (diários)

Jornal de Brasília (de 2ª a 6ª feira): R$ 1.028.780,36

Correio Braziliense (todos os dias da semana): R$ 790.260,14

Brasília Agora (de 2ª a 6ª-feira): R$ 580.188,75

Na Hora H: R$ 199.047,42

Aqui DF: R$ 175.712,00

Jornais impressos comunitários

Alô Brasília:  R$ 127.494,85

DF Notícias: R$ 62.244,00

Brasília Capital: R$ 47.851,00

Folha de Águas Claras: R$ 35.568,00

Do Guará: R$ 35.568,00

Emissoras de TV

Record: R$ 3.901.530,54

Globo: R$ 3.192.122,55

SBT: R$ 1.997.057,79

TV Brasília: R$ 1.457.527,53

Bandeirantes: R$ 1.080.312,67

Gênesis:  R$ 638.935,70

Cultura: R$ 294.652,00

União: R$ 212.513,67

Boa Vontade: R$ 203.889,00

Mundial Telenotícias: R$ 150.428,03

Canção Nova: R$ 135.340,14

Emissoras de rádio

Mais Brasil News FM: R$ 372.471,34

Clube FM: R$ 364.762,87

Supra FM: R$ 254.096,30

Metrópoles FM: R$ 238.375,90

CBN FM: R$ 223.720,67

Antena 1 FM:  R$ 212.054,44

Band News FM: R$ 204.749,79

Clássicos da Atividade FM: R$ 202.144,80

Sara Brasil FM: R$ 201.175,14

JK FM: R$ 193.258,50

Mix FM:   R$ 179.170,76

Jovem Pan FM: R$ 170.652,30

Programa na Polícia e Nas Ruas / Atividade FM: R$ 149.613,08

Positiva FM: R$ 136.380,48

Programa Show de Viola/Atividade FM: R$ 124.655,96

Atividade FM: R$ 101.072,40

Nova Brasil FM: R$ 99.035,60

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