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colaboradores, Política

Argentina: alegria no futebol, tristeza na política

  • Júlio Miragaya
  • 12/12/2023
  • 07:10

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No domingo (10), tomou posse na presidência da Argentina o ultradireitista Javier Milei. O evento revelou o isolamento do aventureiro, pois foi acompanhado apenas por próceres da direita europeia (Zelenski, da Ucrânia e Orban, da Hungria) e por presidentes de direita da América do Sul (Equador, Paraguai e Uruguai). Lamentavelmente, na fila de cumprimentos, Boric, o “vacilão” presidente chileno. 

Milei certamente agravará a interminável crise argentina, pois, tal qual Bolsonaro, não se propõe a construir nada, apenas a destruir e desmontar o pouco que funciona na Argentina, notadamente seu frágil sistema de proteção social. Provavelmente Milei abandonará suas propostas insanas de fechar o Banco Central, abandonar o Mercosul e privatizar a educação pública.

Elas devem ser barradas, pois sua sustentação no parlamento dependerá do apoio dos tradicionais partidos da burguesia do país, do Proposta Republicana (PRO), de Maurício Macri e Patrícia Bullrich, e da ala direita da União Cívica Radical (UCR), que, inclusive, integrarão seu governo.

Restará a Milei implementar o tradicional programa liberal da burguesia, como a redução de impostos, corte nos programas sociais, flexibilização da legislação trabalhista, redução das aposentadorias e pensões e privatização de estatais. Na Argentina, não obstante as recentes e prolongadas crises, a alta concentração da renda e expressivas parcelas da população abaixo da linha de pobreza, ainda apresenta os melhores indicadores sociais do continente latino-americano. 

Tal dicotomia expressa não só a alternância que se dá há quase 80 anos entre peronistas e liberais na condução do país, como também as enormes contradições dentro do peronismo. Até a primeira metade do século XX, a Argentina exibia um dos maiores PIB per capita do planeta, despencando de posição desde então. Tal queda é creditada pelos liberais ao “populismo peronista”. 

Será verdade? Vejamos: a OCDE edita o “The Maddison Project”, conduzido pelo falecido economista britânico Angus Maddison, no qual se vê o gráfico “Posição da Argentina no Ranking Mundial de PIB per capita”.Numa análise superficial sobre o desempenho da economia argentina, mostra que, de 1875 a 1945, o PIB per capita argentino aparecia entre os 10 maiores do mundo, e tal feito é creditado ao modelo liberal então adotado. 

Já após a 2ª Guerra Mundial, o gráfico aponta que o PIB per capitaargentino despencou para a 60ª ou 70ª posição. A queda é creditada aosmodelos populistas, desenvolvimentistas e protecionistas. Tamanho sofisma é mesmo coisa de economista liberal. 

O que ocorreu é que, no final do século XIX, o país se especializara na produção e exportação de cereais, carnes e lã, produtos com forte e crescente demanda na Europa, que cresceu ainda mais no período de 1914/45, com a produção europeia em queda pelas duas guerras mundiais e pela crise de 1929. Nesse período, a renda nacional cresceu e a dos países europeus desabou, fazendo o PIB per capita argentino ascender no ranking mundial.

Após a 2ª Guerra, coincidindo com a primeira eleição de Perón, em 1946, houve a recuperação das economias europeias, catapultadas pelo Plano Marshall, e a perda de competitividade da produção agrícola argentina, em face da emergência dos EUA, Canadá e Austrália como grandes exportadores de commodities agrícolas e da recuperação da produção agrícola europeia.

Exatamente nesse período Perón passa a investir na industrialização, com a política de substituição de importações inspirada na teoria do economista Raul Prebisch. O projeto peronista incluía maior intervenção do Estado na economia e programas de proteção social. 

Em 1958, após o golpe militar que o derrubou, o PIB per capitaargentino (US$ 491) era próximo aos da Áustria (588) e Holanda (695); superior aos do Japão (284), Espanha (299) e Itália (478), e muito superior aos dos vizinhos latino-americanos, como México (272), Brasil (240) e Colômbia (189).

Também é mentirosa a afirmação de que a crise argentina decorreu de sucessivos governos peronistas. Nos 78 anos transcorridos desde 1946, presidentes eleitos pelo Partido Justicialista estiveram no poder por 40 anos. Em dez foi representado por Carlos Menen, na verdade um liberal. Somando seus 10 anos de governo aos 20 da UCR e aos 18 anos de ditadura militar em três períodos, governos liberais governaram a Argentina por 48 anos. 

E agora estarão à frente por mais quatro…

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Júlio Miragaya

Doutor em Desenvolvimento Econômico Sustentável, ex-presidente da Codeplan e do Conselho Federal de Economia

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