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Cidades

Adolescentes recorrem ao EJA para recuperar tempo perdido

  • Redação
  • 02/12/2016
  • 17:21

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Flávio Lacerda

O programa de Educação de Jovens e Adultos (EJA) dá prioridade a alunos mais velhos que não conseguiram, por algum motivo, concluir o ensino fundamental ou o médio no tempo previsto. Entretanto, no Distrito Federal, a maior procura ocorre entre os adolescentes.

São 58,4 mil estudantes matriculados no programa. Na faixa etária de 15 aos 17 anos há 13.309, o que corresponde a 22,7% do total. Nesse grupo, 414 cursam os anos iniciais do ensino fundamental, 11,9 mil, os anos finais e 910 o ensino médio. As estatísticas indicam que nos últimos quatro anos, a evasão escolar diminuiu no DF. Confira os dados: \"imagem-texto-evasao-escolar\"

A diretora da Educação de Jovens e Adultos da Secretaria de Educação do DF, Leoneide Rodrigues, diz que essa procura dos adolescentes tem comprometido os princípios do EJA. Esses princípios dizem respeito à oferta de escolarização ao trabalhador que, por alguma razão, não concluiu seus estudos na idade considerada adequada ou regular.

A empregada doméstica Valdilene Alves, 37 anos, moradora de Sobradinho, está matriculada no EJA. Ela não estudou mais cedo por dois motivos: a proibição do pai e a distância da casa dela até o colégio mais próximo.  De uma família de 11 irmãos, todos nascidos no sertão paraibano ela não tinha uma rotina fácil. A escola ficava a cinco quilômetros de distância, ajudava nas tarefas domésticas e na plantação na roça. Valdilene mudou-se para a capital federal há 16 anos em busca de trabalho e melhores condições de vida. “Eu não estudei mais cedo porque o meu pai não deixava a gente estudar”, disse.

O perfil do estudante da EJA, segundo Leoneide Rodrigues, é formado, em geral, pela classe trabalhadora. Ela afirma ainda que essa procura do público adolescente, na faixa etária entre 15 e 17 anos, se dá pelas várias retenções ocorridas em seu percurso escolar, procuram a Educação de Jovens e Adultos para cursar os anos finais do Ensino Fundamental. A intenção se caracteriza pela tentativa de “aligeirar” sua escolarização, com foco na certificação.

Ainda de acordo com a diretora, o processo de migração dos jovens para o EJA está sendo analisado para que os desafios que envolvam os alunos sejam identificados. “Os resultados da análise dos aspectos que envolvem essa convivência entre os dois públicos (os muito jovens e os mais velhos) deverá fundamentar a construção de uma política ou de uma intervenção mais assertiva no EJA”, afirmou.

Combate ao analfabetismo

No Distrito Federal, ações contribuem para a diminuição do analfabetismo na região. É oferecido o primeiro segmento, que equivale aos anos iniciais do ensino fundamental. O programa prevê a alfabetização de jovens e adultos que não tiveram acesso à escolarização. Além disso, a Secretaria de Estado de Educação aderiu ao Programa Brasil Alfabetizado, proposto pelo Ministério da Educação, cujo objetivo é promover a superação do analfabetismo entre jovens com 15 anos ou mais, adultos e idosos. A SEE-DF desenvolveu também o Programa DF Alfabetizado, que oferece bolsas complementares, gerencia e acompanha a ação alfabetizadora desenvolvida em suas Coordenações Regionais de Ensino e promove a formação dos educadores voluntários que atuam nessa iniciativa.

Além da Educação de Jovens e Adultos, Programa DF Alfabetizado, a Secretaria de Educação do DF, pretende desenvolver um projeto piloto que visa promover a superação de dificuldades de leitura e escrita, alfabetização e letramento, por parte de estudantes matriculados no Segundo Segmento da EJA, em uma de suas Unidades Escolares. Intitulado Arte e Leitura na Educação de Jovens e Adultos, o projeto será implantado inicialmente no Centro de Ensino Fundamental Dra. Zilda Arns.

A coordenadora enfatiza que a SEE-DF tem fortalecido a EJA, principalmente, oferecendo a integração com a educação profissional. Isso acontece de duas formas: com adaptação curricular, que possibilita ao aluno ter a certificação da sua escolarização integrada à escolarização profissional como no caso das escolas Irmã Regina, em Brazlândia e do CED 02, no Cruzeiro e também oferecendo cursos de curta duração para Formação Inicial Continuada.

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