Festa do Divino de Pirenópolis começa nesta quarta-feira (25)

BSB Capital 22/05/2022 às 12:00, Atualizado em 26/05/2022 às 14:40

Programação oficial tem início com a saída da Folia do Divino Tradicional, na zona rural do município

Geraldo César Moreira

Após dois anos de interrupção devido à pandemia da covid-19, a Festa do Divino Espírito Santo e as Cavalhadas de Pirenópolis voltam a ser realizadas a partir desta quarta-feira (25), sendo que o principal dia da celebração é o Domingo de Pentecostes, neste ano em 5 de junho. As cavalhadas acontecem durante três dias, de domingo a terça-feira (7). A tradicional festa de Pirenópolis, a aproximadamente 150Km de Brasília, acontece desde 1819 e tem origem medieval – foi trazida pelos colonizadores portugueses.

Foto: Geraldo César Moreira

Pentecostes

O ápice da Festa do Divino é no Domingo de Pentecostes. A comemoração acontece 50 dias após o Domingo de Páscoa, quando a Igreja Católica celebra a descida do Espírito Santo sobre os apóstolos.

Na edição de 2022, a programação oficial tem início nesta quarta-feira (25/5), com a saída da Folia do Divino Tradicional, na zona rural do município. Na sexta-feira (27), antes de amanhecer o dia, às 4h, já terá alvoradas feitas pela Banda de Couro. Em seguida, pela centenária Banda de Música Phoênix.

Às 19h, na Igreja Matriz Nossa Senhora do Rosário, será o primeiro dia da Novena em Louvor ao Divino Espírito Santo, cantada em latim pelo Coral Nossa Senhora do Rosário. A tradicional apresentação da peça As Pastorinhas está marcada para os dias 3 e 4 de junho (sexta-feira e sábado), no Cine Pirineus.

O sábado é o último dia da novena, seguida de muitas atrações, como o levantamento do mastro com a bandeira do Divino, em frente à Igreja Matriz, tocata com a Banda Phoênix, queima da fogueira e queima de fogos na beira rio. No Domingo de Pentecostes têm início as Cavalhadas.

Sorteio do Imperador

A parte religiosa da festa se irradia a partir da Igreja Matriz Nossa Senhora do Rosário, construída entre 1728 e 1732, época em que Pirenópolis se chamava Minas de Nossa Senhora do Rosário de Meia Ponte, um dos arraiais auríferos do século XVIII em Goiás.

Ali ocorre a novena e as missas e é de onde partem as procissões e o sorteio do imperador da festa para o ano seguinte. O sorteio acontece no consistório da igreja, logo após a Missa Solene das 9h, no Domingo do Divino.

Segue então o cortejo levando o imperador da festa deste ano até à sua residência. Lá serão distribuídas as verônicas, também chamadas alfenins, doce de origem árabe trazido pelos colonizadores portugueses e produzido pela comunidade de Pirenópolis em ocasião da festa.

Trata-se de uma massa de açúcar bem alva que traz a estampa da pombinha com raios, que simboliza o Divino Espírito Santo. Além das verônicas, são distribuídos também os pãezinhos do Divino.

Patrimônio imaterial

A Festa do Divino Espírito Santo de Pirenópolis está registrada desde 2010 como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e inscrita no Livro de Registro das Celebrações.

Há registro que ela acontece desde 1819. O imperador da celebração naquele ano foi o coronel Joaquim da Costa Teixeira. Anualmente é feita uma publicação atualizada com a relação de todos os nomes dos imperadores ao longo dos mais de 200 anos da tradição no lugar. Em 2022, o imperador é Heráclito da Abadia.

Foto: Geraldo César Moreira

Festa na cidade e na roça

A festa agrega várias atrações, ritos religiosos e manifestações populares na cidade e na zona rural.

Tem as alvoradas com a centenária Banda Phoênix de Pirenópolis, fundada em 1893; alvoradas com a Banda de Couro, que remete à antiga orquestra dos negros para louvar Nossa Senhora do Rosário e São Benedito, que eram as principais devoções das antigas Irmandades de Nossa Senhora do Rosário e de São Benedito dos Homens Pretos, espalhadas Brasil afora, nos tempos coloniais e no Império; o Coral Nossa Senhora do Rosário, que entoa os cânticos em latim e traz uma aura barroca às celebrações; a Novena em Louvor ao Divino Espírito Santo, que tem início em 27 de maio e termina em 4 de junho, véspera do Domingo de Pentescostes.

E mais: a catira, de origem indígena, com os dançarinos que marcam o ritmo pela batida dos pés e das mãos, comandada por um cantor violeiro, acompanhado de sanfoneiro e tocador de tambor; a dança do congo, de origem africana, que reverencia o cristianismo e os santos (como Nossa Senhora do Rosário e São Benedito), mas misturando elementos da cultura africana, o que veio trazer animação e o popular aos ritos ortodoxos católicos no passado.

Tem ainda o levantamento do mastro da Bandeira do Divino; a descarga de roqueira, salva de tiros que imita o canhão roca, de origem portuguesa, para saudar o imperador do Divino; a queima da fogueira e grandiosa queima de fogos.

Foto: Geraldo César Moreira

Mascarados fazem alvoroço

Os mascarados, que usam máscaras representando animais como boi e onça, saem às ruas a pé ou a cavalo, fazendo alvoroço. Dão um colorido popular à festa. Segundo contam, também têm origem portuguesa, sendo ligados à crença de espantar os maus espíritos.

A importância deles vai além do calendário da Festa do Divino: são também símbolos da própria cidade e esculturas deles são distribuídas em várias partes e fazem a alegria dos turistas, que tiram fotos e “selfies” ao lado deles.

Também há apresentações feitas por crianças, que acontecem no adro da histórica e quase tricentenária igreja matriz. Dentre as manifestações folclóricas, estão a dança das fitas e a versão infantil das manifestações da Festa do Divino.

Foto: Geraldo César Moreira

As Cavalhadas

Neste ano, as Cavalhadas (de 5 a 7 de junho) serão realizadas no Módulo Esportivo, uma vez que a Arena Multiuso Ulisses Jayme, o “Cavalhódromo”, está interditada. No domingo (5), será a abertura das Cavalhadas; na segunda-feira, é representado o batismo dos mouros; na terça-feira, é a confraternização entre mouros e cristãos.

As Cavalhadas fazem parte da Festa do Divino de Pirenópolis e são inspiradas nas tradições ibéricas do período medieval. Na batalha representada, de um lado por um grupo de 12 cavaleiros que trazem nos trajes a cor azul, os cristãos; e de outro, 12 cavaleiros com vermelho nas vestes, os mouros.

Símbolos da Festa do Divino em Pirenópolis

Coroa e Cetro: São os principais símbolos da festa, trazidos pelo Imperador do Divino. Há também a salva, uma bandeja de pé alto, para colocar a coroa. Essas peças foram feitas em 1826, a pedido do padre Manuel Amâncio da Luz, o imperador naquele ano;

O Imperador: Escolhido por sorteio, realizado após a Missa do Domingo do Divino, é o principal organizador da festa. Tem funções como angariar recursos, o controle administrativo e a divulgação da festa. Durante o festejo, um altar ao Divino Espírito Santo é montado na casa do imperador, onde ficam em exposição a coroa, o cetro e a bandeira do Divino;

Foto: Geraldo César Moreira

Bandeira do mastro: abençoada pelo padre no sábado, último dia da novena, é hasteada no mastro que é colocado no mesmo dia, em frente à Igreja Matriz, e só será descida no dia de Corpus Christi;

Hino do Espírito Santo: Composto por Antônio da Costa Nascimento, o Tonico do Padre, em 1899;

Cortejos: No Domingo do Divino, o cortejo acompanha o imperador, de sua casa até à Igreja Matriz. Após a Missa Solene, o traz de volta à residência;

Foto: Geraldo César Moreira

– Coroação: Após a Missa, a coroa do Divino é colocada na cabeça do imperador;

Mordomos: Principais colaboradores do imperador, sorteados para cuidar da bandeira, do mastro, da fogueira e dos fogos;

Verônicas: doces que consiste em uma alva massa de açúcar, trazidos pelos portugueses, mas com origem árabe. Trazem a estampa da pombinha com raios, que representa o Divino Espírito Santo;

Cavalhadas: Encenadas pela primeira vez em Pirenópolis em 1826. Iniciativa do padre Manuel Amâncio da Luz. Com origem ligada a Portugal, trata-se da representação da histórica luta travada entre Carlos Magno, coroado imperador do Ocidente pelo papa Leão III em 25 de dezembro de 800, e os mouros invasores da Península Ibérica, que pretendiam forçar os cristãos à religião maometana.

Foto: Divulgação

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