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Artigo

A hora e a vez de Vinicius

  • Fernando Pinto
  • 05/11/2016
  • 11:33

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Somente 15 dias depois de ter sido anunciado como o feliz ganhador do Prêmio Nobel de Literatura, o cantor norte-americano Bob Dylan declarou publicamente que compareceria no próximo dia 10 de dezembro à Academia Sueca para receber seu diploma, além da medalha de ouro com a esfinge de  Alfred Nobel e a quantia de oito milhões de coroas suecas (1 milhão e 260 mil dólares). Até então, o cantor permanecera em total silêncio, o que estava preocupando os responsáveis pela Fundação Nobel, até porque já houve o precedente de uma recusa do filósofo francês Jean-Paul Sartre, premiado em 1964.

A verdade é que não há o que contestar sobre o valor da poesia de Bob Dylan, não tanto pela tão comemorada música, mas, sobretudo, pelas letras de suas canções. Até mesmo o presidente Barack Obama afirmou que Dylan é um de seus poetas favoritos. Méritos à parte, mesmo ciente de que a Academia de Estocolmo não inclui lauréis póstumos (a não ser que abra uma exceção – e por que não?), com base na força editorial do Brasília Capital, me atrevo a lançar aqui o nome do poeta Vinicius de Moraes ao próximo Prêmio Nobel de Literatura-2017.

Como jurisprudência para defender a minha tese da candidatura póstuma, lembro que o diplomata Vinicius de Moraes foi cassado em 1968 pela ditadura militar de sua função de cônsul concursado pelo Itamaraty, mas seria promovido a embaixador post mortem em 2010. Quanto à sua qualificação de poeta autêntico (provavelmente um dos maiores deste país de grandes poetas), basta dizer que ele deixou um acervo de mais de 300 poemas imortais, por sinal, traduzidos para várias línguas e reconhecidos em muitos países do mundo civilizado. Para se ter uma idéia do merecimento de um Prêmio Nobel de Literatura para Vinicius, basta citar esta estrofe:

“A felicidade é como a gota / de orvalho numa pétala de flor. / Brilha tranquila / depois de leve oscila / E cai como uma lágrima de amor. / Tristeza não tem fim. / Felicidade sim!…”.

E acrescente-se o veredicto de Carlos Drummond de Andrade: “Vinicius de Moraes foi o único de nós que viveu a vida de poeta!”.

}

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