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colaboradores, Saúde

A formação do nutricionista em risco

  • Caroline Romeiro
  • 29/06/2025
  • 08:00

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Em tempos de avanço tecnológico e ensino remoto, é preciso ter cautela quando se trata da formação de profissionais da saúde. No caso da Nutrição, a presença nos territórios de atuação — hospitais, Unidades Básicas de Saúde, refeitórios e comunidades — é mais do que um diferencial: é uma exigência ética, técnica e humanística. 

A formação presencial garante que o futuro nutricionista desenvolva habilidades como empatia, escuta qualificada, raciocínio clínico e tomada de decisão em situações reais. Tudo isso é impossível de ser plenamente cultivado em frente a uma tela.

O Conselho Federal de Nutrição (CFN) alerta: a proliferação de cursos de graduação em Nutrição na modalidade a distância (EaD) ou semipresencial, sem fiscalização adequada, compromete a qualidade do ensino e representa riscos sanitários e sociais à população. 

O parecer do Tribunal de Contas da União (Acórdão 658/2023) aponta falhas graves na regulação do EaD, desde registros irregulares de diplomas até a superficialidade nas avaliações. Trata-se de um problema que afeta a saúde coletiva e o direito da população ao cuidado qualificado.

A prática profissional do nutricionista exige domínio técnico que só se adquire com vivência concreta, seja na prescrição dietética, no controle de qualidade de alimentos, na promoção da saúde ou na vigilância nutricional. 

As Diretrizes Curriculares Nacionais e as normativas do Sistema Único de Saúde (SUS) reforçam que essa formação deve ocorrer com base na integralidade, na interprofissionalidade e na inserção comunitária — todas incompatíveis com a lógica da educação remota.

É hora de o Brasil reconhecer: formar nutricionistas sem a presencialidade plena é formar profissionais sem base sólida para o cuidado em saúde. Proteger a formação presencial é proteger o Sistema Único de Saúde, a segurança alimentar e, acima de tudo, a saúde da população brasileira.

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Caroline Romeiro

(*) Ex-presidente do CRN 1ª Região, Mestre em Nutrição Humana e doutoranda em Ciências da Saúde

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