A capacidade de estar inteiro

bsbcapitalPor ,09/06/2016 às 8:52, Atualizado em 09/07/2016 às 3:37

Fernanda Sampaio (*)   O princípio das polaridades costuma ser interpretado pela sociedade moderna como uma dualidade: o lado bom e o lado mau. Isso distorce o verdadeiro princípio de dois pólos, como yin e yang, direita e esquerda, luz e sombra, dia e noite. Em todos os pólos existirão belezas e adversidades.Yin é o princípio passivo, yang é o princípio ativo. Numa sociedade …

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Fernanda Sampaio (*)

 

O princípio das polaridades costuma ser interpretado pela sociedade moderna como uma dualidade: o lado bom e o lado mau. Isso distorce o verdadeiro princípio de dois pólos, como yin e yang, direita e esquerda, luz e sombra, dia e noite.

Em todos os pólos existirão belezas e adversidades.Yin é o princípio passivo, yang é o princípio ativo. Numa sociedade em que prevalece a valorização da força, da guerra e da ação, ou seja, o yang, o lado yin pode ser considerado ruim ou fundamental.

Isso porque, nem sempre devemos ou podemos ser ativos. Estar em ação o tempo inteiro pode significar a falência do poder enérgico e levar a uma estafa ou desequilíbrio. O lado passivo é de extrema importância também.Cabe a nós aprendermos a utilizar ambos os lados, de forma a obtermos o equilíbrio. Para isso é importante sabermos quando e como usar cada um deles.

Essa mesma noção é vivida pelos indivíduos consigo mesmos e em suas relações. Vivemos, muitas vezes, compartimentados, como se não pudessem estar inteiros no mundo e em seus relacionamentos.

Desde crianças aprendem que é feio ficar triste, sentir raiva ou inveja. Embora esses sentimentos façam parte da condição humana, passam a ser negados pelas pessoas que o sentem. Não é que esses sentimentos precisem ser incentivados, mas negá-los ou sentir culpa só faz com que fiquemos adoecidos.

É importante reconhecer que esse lado obscuro existe. Somente dessa forma saberemos olhar e trabalhar esses sentimentos. Precisamos aprender a aceitar os outros com suas qualidades e defeitos. Isso é essencial para uma vida melhor e relacionamentos saudáveis. Mas, para aceitar o outro, é necessário que aceitemos a nós mesmos.

Para mim, o homem em equilíbrio não é o que vive da luz e na luz, mas sim aquele que conhece a sua sombra e sabe lidar com ela de forma construtiva e equilibrada. Aquele que conhece seus defeitos e os trabalha para que não se tornem destruidores, é muito mais capaz de viver socialmente e ajudar ao próximo.

Se queremos um mundo melhor, precisamos estar inteiros conosco e com aqueles com quem nos relacionamos. Estando inteiros, podemos estar em paz e cultivar a paz do mundo.

 

(**) Psicóloga, psicodramatista, terapeuta sexual, palestrante, especialista em Brainspotting e EMDR.

 


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