A transferência do banqueiro Daniel Vorcaro para a Superintendência da Polícia Federal (PF), autorizada na quinta (19) pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), causou pânico no meio político, em Brasília. O movimento reforça a avaliação de investigadores de que o acordo de colaboração premiada, batizado de “delação do fim do mundo”, já começou a sair do papel. A mudança de local de custódia costuma ocorrer quando há necessidade de maior proximidade com delegados e procuradores responsáveis pela negociação.
O principal temor de quem ocupa cargo público é de que as denúncias de Vorcaro tenham impacto direto nas urnas, visto que qualquer revelação pode atingir diretamente campanhas, alianças e lideranças políticas nas eleições marcadas para 4 de outubro.
O banqueiro está preso preventivamente desde 4 de março, no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura fraudes bilionárias envolvendo o Banco Master. A prisão foi decretada após a Polícia Federal apontar indícios de que Vorcaro tentou obstruir as investigações, além de ameaçar adversários e monitorar pessoas ligadas ao caso.
Antes de chegar à PF, Vorcaro passou por diferentes unidades prisionais. Ele foi detido em São Paulo no dia 4, transferido para a penitenciária de Potim (SP) em 5 de março e, no dia 6, levado para a Penitenciária Federal de Brasília por determinação do STF, que considerou haver risco à segurança pública e possibilidade de interferência nas investigações.
A manutenção da prisão foi confirmada pela Segunda Turma do STF em 13 de março. No mesmo dia, Vorcaro trocou sua equipe de defesa, mudando a estratégia jurídica diante do avanço das apurações.
Relembre o caso Master
O caso Master ganhou dimensão nacional após a deflagração da Operação Compliance Zero, em novembro de 2025, que investiga um esquema de fraudes financeiras, lavagem de dinheiro, corrupção e obstrução de Justiça.
As investigações apontam prejuízos bilionários, com estimativas que podem chegar a mais de R$ 80 bilhões, afetando o sistema financeiro e atingindo o Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Durante a operação mais recente, em 4 de março, a PF apreendeu o celular de Vorcaro. Parte do conteúdo vazou dias depois, expondo conversas, registros financeiros e informações sensíveis, inclusive dados pessoais que teriam circulado em ambientes restritos, como a sala-cofre do Senado Federal, onde parlamentares investigam as relações de Vorcaro com o escândalo do INSS.
Outro episódio central envolve Luiz Phillipi Machado de Mourão, conhecido como “Sicário”, apontado como operador do núcleo de intimidação do grupo. Ele foi preso na mesma fase da operação e morreu dias depois, após ser encontrado desacordado em cela na Superintendência da PF em Belo Horizonte.