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Economia

O presente de grego do BC ao governo Lula

O que fala mais alto a Galípolo: a postura de um gestor público ou a de ex-presidente de banco?

  • Júlio Miragaya
  • 03/02/2026
  • 08:29

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Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Júlio Miragaya (*)

Nos últimos dias, teve ampla circulação nas redes bolsonaristas um post relatando que o Brasil pagou, em 2025, um trilhão de reais de juros da dívida pública. À publicação seguiram-se as seguintes acusações: “Isso é o que pagamos de juros pela ‘gastança do governo Lula!’”; “Lula quebrou o Brasil!” e “Pela primeira vez na história o Brasil paga R$ 1 trilhão em juros. Parabéns, Lula”. Circula agora e, claro, circulará mais amplamente nos próximos 8 meses, até o 1º turno das eleições em 4 de outubro.

Esses posts da direita serão seguidos de comparações do governo Lula com o governo Bolsonaro. E são os seguintes os gastos com juros da dívida pública nos últimos 8 anos: 2019: R$ 367 bilhões; 2020: R$ 312 bilhões; 2021: R$ 448 bi; 2022: 586 R$ bi; 2023: R$ 718 bi; 2024: 950 bi; 2025: 1,008 trilhão; 2026: previsão de cerca de R$ 1 tri. Certamente disseminarão que no governo Bolsonaro a média anual foi de R$ 428 bi, enquanto no governo Lula a média anual terá sido de R$ 919 bi. 

Mas, evidentemente, há várias ponderações a se fazer. Embora em termos nominais os gastos no governo Lula tenham sido 115% maiores, a comparação correta são os gastos como percentagem do PIB. Eles foram ,em média, de 5% no governo Bolsonaro e de 7,5% no governo Lula. De todo modo, se não foi 115% maior, foi 50% superior.

Mas esse aumento de 50% seria responsabilidade do governo Lula? Definitivamente, não! O responsável por esses gastos terem chegado a R$ 1 trilhão é o Banco Central, pois os juros da dívida pública têm como seu principal indexador a Selic, fixada pelo BC. Que o ex-presidente bolsonarista Campos Neto a tenha elevado de 6,5% para 12,25% ao ano, nenhuma surpresa. Chocante é ver Gabriel Galípolo, o atual presidente do BC, elevá-la a 15% e insistir em mantê-la nesse elevado patamar. Sim, esse é o presente de grego que o BC, sob o comando de Galípolo, deu ao governo Lula.

Isso tem que ser dito com todas as letras por todos aqueles que prezam pela verdade dos fatos. O responsável pelos elevados gastos com juros da dívida pública não é o governo, mas o BC, independente desde a Lei 179/2021. Independente do governo federal, mas cada vez mais subserviente aos interesses do mercado financeiro. 

Do mesmo modo, ao contrário do que propaga a grande mídia, se a dívida pública cresceu, 95% desse crescimento se deveu aos gastos com juros da dívida pública (R$ 1 trilhão) e apenas 5% ao déficit primário (R$ 55 bilhões), este sim de responsabilidade do governo.

O elevado patamar de juros no Brasil é mantido pelo BC para satisfazer o interesse do mercado financeiro, pois não há qualquer risco de descontrole inflacionário no País. E, além do aumento dos gastos com juros da dívida pública, são mais do que conhecidas as consequências de uma Selic tão elevada: desaceleração da economia; queda no ritmo da geração de empregos; encarecimento do crédito às empresas e às famílias; estagnação do consumo; etc. 

Sim, a desaceleração da economia é outro presentinho que esse “Cavalo de Tróia Tupiniquim” dá à direita. Em sua penúltima ata, o BC admitiu que continuaria atuando contra o crescimento econômico ao afirmar que “o arrefecimento da demanda agregada é um elemento essencial no processo de convergência da inflação para a meta de 3%”. Assim o fez novamente em janeiro/26 e o resultado aparece na taxa de crescimento do PIB. 

Até agora, o que temos é que ele vem perdendo tração: 4,1% no 3º trimestre/2024 ante o mesmo período do ano anterior; 3,6% no 4º trimestre/2024; 3,1% no 1º/2025; 2,4%, no 2º/2025 e 1,8% no 3º trimestre/2025. O crescimento do PIB, que poderia ter sido próximo a 4% em 2025, deverá se situar entre 2,3% e 2,5%. Para 2026, a perspectiva é de 1,8%.

Quanto à geração de emprego, embora, segundo a PNAD/IBGE, o Brasil tenha fechado 2025 com a menor taxa de desemprego da série histórica (5,1% ou 7,5% se considerados os desalentados), o reflexo da desaceleração da economia já se manifestou na redução do ritmo de geração de empregos formais, pois os 1,27 milhão de empregos formais gerados em 2025, segundo o Caged, é o menor desde 2020, ano de maior incidência da pandemia da covid. 

Galípolo foi secretário no governo do PSDB de José Serra e depois, presidente do Banco Fator, de 2017 a 2021. Em julho de 2023, foi indicado para a Diretoria de Política Monetária do BC e, em outubro de 2024, teve seu nome aprovado por 93% dos senadores, tanto de esquerda quanto de direita, para assumir a presidência da instituição, o que o fez em janeiro de 2025. 

Em sua curta carreira, o que fala mais alto no coração e na mente de Galípolo: a postura de um gestor público dedicado a servir ao país e seu povo, ou a de ex-presidente de banco retornando à lógica rentista do mercado financeiro?

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Júlio Miragaya

Doutor em Desenvolvimento Econômico Sustentável, ex-presidente da Codeplan e do Conselho Federal de Economia

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