José Matos
Em que pese, erroneamente, determinados umbandistas afirmarem que a Umbanda é religião de matriz africana, isto não é verdade. É uma religião brasileira e cristã, mercê de receber influência católica (associação de deuses africanos com santos católicos), kardecista (crença no carma, na reencarnação, na evolução e no valor da caridade) e africana (crença nos orixás, mensageiros de Deus).
Quando do anúncio da sua criação, seu fundador, o Caboclo das 7 Encruzilhadas, afirmou categoricamente: “Umbanda é manifestação dos espíritos para a caridade com base no Evangelho de Cristo, e o que sabe mais deve ensinar o que sabe menos”.
Com o passar do tempo, muitos umbandistas alteraram o entendimento inicial, e daí surgiram suas várias vertentes:: Umbanda cruzada, oriental, esotérica, tradicional etc., embora seus fundamentos sejam os mesmos em todas elas.
No início, o grupo de espíritos era constituído apenas de caboclos, crianças e pretos velhos. Porém, com o tempo, percebeu-se a necessidade de entidades para resolver questões de ordem material. Assim, incorporou-se Exu (policial masculino) e Pombagira (policial feminino), responsáveis pela segurança do Terreiro.
No início, em 1908, seu fundador proibiu o uso de atabaques e até de palmas quando da execução dos pontos cantados. Mas, posteriormente, três atabaques foram incorporados e são usados em quase todos Terreiros. (Os pontos são cantos, e cada ponto é um convite ao trabalho ou apenas um meio de elevação da vibração dos médiuns e do ambiente).
Os Exus e Pombagiras, embora sejam trabalhadores do bem, mensageiros dos Orixás e guias mais requisitados para resolver problemas dos frequentadores, foram demonizados pela Igreja Católica visando afastar os católicos que frequentam os Terreiros de Umbanda.
É por esse motivo que algumas pessoas pensam que Exu é o diabo. No entanto, eles próprios esclarecem: “Somos agentes da luz nas trevas, especializados na Lei do Carma e com autoridade para transmutar o carma dos frequentadores”.
O meio de transmutação do carma chama-se Caridade. Como ensinou o apóstolo Tiago: “A fé sem obras é morta”. E o Apóstolo João, complementou: “Quem diz que ama a Deus e não ama o próximo é mentiroso”.