Cecília Garcia (*)
Marcia Lucas é uma editora norte-americana que trabalhou em produções cinematográficas que hoje são tidas como clássicas. Em seu impressionante currículo estão American Graffiti (1973) – com a indicação para o Oscar de melhor edição; Alice não mora mais aqui (1974), Taxi Driver (1976) e New York, New York (1977), os três dirigidos por Martin Scorsese.
Reza a lenda que Marcia ainda foi a responsável por editar os testes de filmagem de outro grande sucesso: O Poderoso Chefão (1972), de Francis Coppola. No entanto, essa informação não aparece nos créditos do filme. Mas o trabalho que a colocou no radar dos nerds do mundo todo foi a edição de Star Wars: episódio IV – Uma nova esperança (1977).
Marcia é conhecida no meio como a responsável por salvar a saga. Isso porque a primeira versão do longa, editada por John Jympson, desagradou George Lucas, que acabou demitindo-o. Ela, então, foi chamada para substituir o antigo funcionário e, junto com Richard Chew e Paul Hirsch, formou o time de edição que ganhou o Oscar da categoria em 1977.
Suas intervenções no filme trouxeram ritmo para a história e mudanças profunda no enredo. Para a reestruturação da cena do ataque à Estrela da Morte, uma das mãos icônicas da obra, por exemplo, Marcia dedicou oito semanas de trabalho.
Foi dela, também, a ideia de matar o personagem Obi-Wan Kenobi, momento que se tornou um ponto de virada para a história do protagonista Luke Skywalker.
A redescoberta da competência de Marcia Lucas veio com a publicação de alguns livros, como Skywalking: The Life and Films of George Lucas, de Dale Pollock; The Secret History of Star Wars, de Michael Kaminski; e How Star Wars Conquered the Universe, de Chris Taylor.
Entrevistas concedidas a jornalistas, documentaristas e críticos de cinema, tanto dela quanto da equipe que trabalhou em Star Wars, também ajudaram nesse processo de reconhecimento.
É certo que o trabalho de criação no cinema é coletivo. Mas também é fato o apagamento do papel das mulheres nas produções. Em documentários, livros e entrevistas sobre Star Wars concedidas por George Lucas após o divórcio, as contribuições de Marcia foram simplesmente ignoradas.
Isto nos faz pensar em quantas outras mulheres foram fundamentais para a criação de grandes obras, mas que seus nomes nunca serão conhecidos!
(*) Jornalista