Um companheiro chamado Luan

BSB Capital 21/06/2015 às 19:05, Atualizado em 21/06/2015 às 19:05

         Confesso que nunca fui muito chegado aos gatos, fossem eles de raça nobre, tipo Persa, valorizados pelo ótimo temperamento – caseiros, tranquilos, independentes, dóceis e sociáveis. Desde muito cedo, sempre me senti atraído pelos cães, de preferência parecidos com o pastor alemão Rim-Tim-Tim, herói cinematográfico de minha infância. Por isso, não participei da …

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         Confesso que nunca fui muito chegado aos gatos, fossem eles de raça nobre, tipo Persa, valorizados pelo ótimo temperamento – caseiros, tranquilos, independentes, dóceis e sociáveis. Desde muito cedo, sempre me senti atraído pelos cães, de preferência parecidos com o pastor alemão Rim-Tim-Tim, herói cinematográfico de minha infância.

Por isso, não participei da euforia geral quando minha filha Fernanda apareceu com uma felpuda gatinha de pelo branco, de enormes olhos azuis e que foi batizada com o singelo nome de Lua. Pelo visto, não obstante fosse de aparência Persa, a recém-chegada não tinha nada de “dócil e sociável”. Até muito ao contrário: em ações frequentes, avançava com unhas e dentes nos nossos calcanhares, dando vazão ao seu instinto felino, sempre por trás.

De repente, na primeira incursão ao pet shop para fazer o seu  toillete feminino, com direito a banho de espuma cheirosa, a funcionária da loja descobriu que a jovem cliente tinha um lindo peruzinho, em vez de xoxotinha. Quer dizer: não era gata e sim gato, com poucos meses de idade.

Depois de debate familiar, o que seria um problema virou solução: ao pseudonome de Lua foi acrescida apenas a consoante “n”, e o animalzinho passou a se chamar pelo sonoro nasal de Luan. De lá para cá, nada menos de 15 anos transcorreram. E, felizmente, Luan mudou de comportamento, tornando-se dócil e sociável, na certa retribuindo os afagos de carinho de toda nossa família. Mais uma vez admito: sou a exceção. Limito-me a saudá-lo – “Oi, Luanzinho!”.

Mas, afinal, fui vencido por tantas demonstrações de afeto explícito de Luan, que preenche a minha solidão, diariamente, durante as muitas horas em que fico sozinho em casa. Retifico: ficava – já que agora tenho um fiel companheiro!

Só então compreendi porque Hemingway amava os gatos e mantinha um deles para tomar conta de seu primogênito Bumby, ao se ausentar de seu apartamento em Paris, quando começou a despontar na Literatura. E também entendi porque os egípcios veneravam uma deusa gata, chamada Bastet, que representava os poderes benéficos do Sol.

Com base na informação de minha netinha Bárbara, posso afirmar com toda a convicção: meu amigo Luan é dono de uma alma iluminada, tal qual a de uma criança, com vaga garantida por antecipação no paraíso do Oriente Eterno.

 


 

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