Túnel de Taguatinga: os transtornos de uma obra necessária

orlandopontesPor ,04/12/2020 às 12:44, Atualizado em 04/12/2020 às 13:27

Comerciantes reclamam de prejuízos com interdição da Avenida Central

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Obra do Túnel de Taguatinga. Foto: Ricardo Reck

Desde o fechamento da pista Sul da Avenida Central de Taguatinga, no dia 27 de julho, dezenas de lojas baixaram as portas e outros comércios do setor sofreram quedas de até 80% nas vendas. A administradora da Galeria Estação Central e gerente da agência Viagens Tour, na C-8, Teresa Rashewskyj, diz que o espaço perdeu pelo menos 50% dos clientes.

Segundo a empresária, antes de fechar as passagens com tapumes, deveriam ter sido criadas alternativas para a travessia de pedestres. As únicas opões para quem quer atravessar a Avenida Central são a passarela subterrânea do metrô – que não tem acessibilidade – e o cruzamento da Comercial Norte com a Sul.

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Teresa Rashewskyj, diz que o espaço perdeu pelo menos 50% dos clientes. Foto: Antônio Sabino

“Poderiam ter feito passarelas aéreas na entrada da cidade, próximo ao Taguatinga Trade Center, e nas imediações da Praça do Relógio. Além da dificuldade de acesso, há sempre o perigo de acidentes, principalmente atropelamentos de pedestres, além da ação dos delinquentes”, diz Teresa.

Planejamento – O gerente do posto Nene’s, na C-6, Ricardo Reck, avalia que houve uma redução de 80% nas vendas de combustíveis e queda de 50% no movimento da casa lotérica e da lanchonete que funcionam no posto. “Poderiam ter direcionado parte do trânsito da Avenida das Palmeiras para o lado Sul da cidade. Com isso não teria caído a zero, do dia para a noite, o movimento na via em frente ao posto, que era de 130 mil veículos por dia.

Anistia do IPTU

Teresa Rashewskyj e Ricardo Reck acreditam que o GDF deveria criar algum tipo de contrapartida para as pessoas os proprietários de imóveis e inquilinos nas quadras C-6, C-8, C-10 e C-12 do centro de Taguatinga. “Se a pessoa é dona do imóvel e toca o seu negócio aqui, está perdendo em faturamento. Se aluga para terceiros, perdeu o inquilino ou, no mínimo, precisou renegociar o valor do aluguel para não ficar com a sala ou a loja ociosa”, explicam.

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O gerente do posto Nene’s, na C-6, Ricardo Reck, acredita que o GDF deveria criar algum tipo de contrapartida para as pessoas os proprietários de imóveis e inquilinos do centro de Taguatinga. Foto: Antônio Sabino

A reivindicação é de que o GDF anistie os proprietários e inquilinos da cobrança do IPTU no período em que a Avenida Central permanecer interditada durante a obra do túnel. “Por que devemos pagar um tributo altíssimo por um serviço que não estamos recebendo”, questiona o proprietário de um prédio na C-10, que prefere não se identificar.

Estacionamento – Na C-6 e na C-8, mesmo com todas as dificuldades anteriores ao fechamento do trânsito na Avenida Central, havia vagas de estacionamentos ao longo do meio fio. Agora, para dar fluidez, elas foram transformadas em pista, onde não é permitido estacionar.

A via é usada como acesso à EPTG ou aos setores CSA e QNA. “Ninguém pode parar mais aqui”, reclama o cabeleireiro Guaraci, do salão Garb Barbearia. Ele diz ter perdido mais de 50% da clientela. “Só não fechamos porque a proprietária concordou em reduzir o aluguel”, conta.

Violência diminuiu

Outra reclamação dos comerciantes é quanto a um suposto aumento da criminalidade no setor, especialmente arrombamentos de lojas. No entanto, o comandante do 2º Batalhão da Polícia Militar, coronel Marcelo Casimiro, responsável pelo policiamento na área, afirma que, de janeiro a novembro, houve uma redução de 44,65% nas ocorrências de roubos a transeuntes; 73,33% nos roubos a comércios; 76,92% nos roubos a coletivos; e 63,07% nos furtos em coletivos.

“Os números não mantem. A menos que as pessoas não estejam registrando as ocorrências, o que seria um erro, pois prejudica a ação das forças de segurança pública, que agem a partir de dados estatísticos”, pondera.

Para o coronel Casimiro, o problema mais preocupante no centro de Taguatinga é social, agravado pelo grande número de ambulantes e usuários e traficantes de drogas. “Moradores em situação de rua ou de vulnerabilidade cometem pequenos furtos para se alimentar ou manter o vício”, exemplifica.

Central de monitoramento

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Foto: Antônio Sabino

O comandante do 2º BPM tem promovido reuniões com a comunidade para dar dicas de como prevenir a violência. Entre elas, pedir que os funcionários do comércio, quando não estiverem atendendo, posicionem-se na entrada da loja; que os comerciantes melhorem a iluminação dos estabelecimentos; e que acionem a central de monitoramento pelo WhatsApp 61-99841-6922 em qualquer situação de emergência. O Batalhão também atende pelo fixo 61-3190-0242.

O coronel Casimiro admite que o efetivo é reduzido. Mas tem otimizado o policiamento com o uso de quatro motocicletas, uma van, uma viatura do patrulhamento regular e uma do serviço voluntário gratificado, formado por PMs que trabalham oito horas a mais em seus turnos de folga. Eles atuam, principalmente, no policiamento a pé, em duplas Cosme e Damião.

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