Júlio Pontes
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), viu, pela primeira vez em um ano, sua rede social perder seguidores durante uma semana. O fenômeno tem uma explicação: o lançamento – ainda que possa ser interpretado como balão de ensaio – da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República.
Em 5 de dezembro, o filho Zero Um de Jair anunciou que seria o nome escolhido pelo pai para sucedê-lo para representar o campo da direita e rivalizar com Lula em 2026. Naquele dia, nomes do mesmo espectro ideológico se manifestaram nas redes.
REAÇÕES – O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União), reafirmou que manterá sua candidatura e que segue “convicto” de que no próximo ano a direita tirará o PT do poder.
Romeu Zema (Novo), governador de Minas Gerais, disse, em nota, que sua pretensão teria passado pelo crivo do ex-presidente, condenado a vinte e sete anos e preso na Superintendência da Polícia Federal em Brasília por tentativa de golpe de Estado. “Quando anunciei minha pré-candidatura, ele foi claro: múltiplas candidaturas no primeiro turno ajudam a somar forças no segundo”, escreveu o mineiro.
Dos pré-candidatos da direita, apenas dois não falaram nada sobre Flávio até agora: o governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD), e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). A postura de Ratinho Jr. faz sentido. Afinal, ele tem se mantido no centro e guardado distância dos extremos políticos.
Mas Tarcísio, não. A candidatura do chefe do Executivo paulista depende do aval de Bolsonaro e dos bolsonaristas. Ainda assim, a única declaração pública dele em relação a Flávio veio apenas três dias depois do anúncio do senador: “Eu sempre disse que ia ser leal ao Bolsonaro, que eu sou grato ao Bolsonaro. Eu tenho essa lealdade, e é inegociável”, afirmou após um evento em Diadema (SP).
Até agora, Tarcísio não publicou um vídeo sequer sobre o assunto em suas redes, como costuma fazer diariamente. Em nenhum momento disse expressamente que seu candidato é o Flávio.
CASTIGO – E a militância bolsonarista pune aqueles que não seguem a cartilha do “mito”. De 7 a 14 de dezembro, o governador de São Paulo foi o único postulante à Presidência a perder seguidores no Instagram: quase sete mil pessoas deixaram de acompanhá-lo na rede. No mesmo período, Flávio ganhou mais de 140 mil seguidores, e Lula quase 50 mil.
Entre os vídeos e posts estáticos publicados por todos os presidenciáveis, Tarcísio só tem um entre os mais engajados: uma foto ao lado do presidente recém-eleito do Chile (de direita), José Antonio Kast.
E se a esta altura você está pensando que esse tipo de informação é dispensável, trago aspas do Zero Dois, o deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), no dia 8 de dezembro: “Flávio está ganhando 100 mil seguidores/dia desde que anunciou sua candidatura”, comemorou no X.
Apesar da informação questionável trazida por Eduardo, o recado passado foi uma tentativa de demonstração de força intrínseca: Flávio ganha e Tarcísio perde.
Sendo assim, não restaria outra opção…