Na última quinta-feira, 21 de maio de 2026, o Ministério da Cultura (MinC) organizou uma roda de conversa sobre economia viva, cultura e trabalho coletivo. O evento fez parte da 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura, realizada em Aracruz, no Espírito Santo. O debate aconteceu no coração da Feira de Economia Criativa, reunindo a secretária de Economia Criativa do MinC, Cláudia Leitão, além de representantes da economia solidária, pesquisadores e agentes culturais. O foco das discussões foi a formação, a geração de renda e o fortalecimento das redes culturais comunitárias, considerados essenciais para o desenvolvimento econômico e social das regiões.
Carolina Freitas, coordenadora de Planejamento e Sistema Nacional Cultura Viva do MinC, enfatizou que as economias solidária e criativa são fundamentais para a Política Nacional Cultura Viva. “A política se fundamenta em um tripé que une educação, cultura e cidadania. Portanto, é imprescindível que incluamos a economia nesse contexto”, explicou ela.
Durante sua intervenção, Cláudia Leitão reiterou a importância da economia criativa como um modelo que prioriza o bem viver, a sustentabilidade e o reconhecimento dos trabalhadores da cultura. “Estamos discutindo economias do século XXI, que são emergentes, urgentes e necessárias. Todas devem lutar por um comércio justo, pela dignidade dos trabalhadores e contra a precarização”, destacou.
A secretária também aproveitou a oportunidade para lançar o novo Portal Brasil Criativo, ressaltando a necessidade de fortalecer os ecossistemas culturais. “Aqueles que vivem da cultura desejam fazer isso com dignidade. Precisamos garantir que esses ecossistemas operem de forma justa”, afirmou.
A roda de conversa ainda contou com a contribuição da pesquisadora Luana Vlutz, da Universidade Federal da Bahia, que apresentou dados do Diagnóstico Econômico da Cultura Viva. Esse levantamento abrangeu 867 municípios brasileiros e obteve mais de 2,4 mil respostas de Pontos e Pontões de Cultura. Ela comentou que a “economia viva” está profundamente conectada à preservação dos territórios, das memórias e das práticas culturais comunitárias. “Essa economia baseada na troca, na ajuda mútua e na colaboração existe. Curiosamente, 70% dos pontos afirmaram estar mobilizando essa economia não monetária”, observou.
O debate ainda explorou experiências com moedas sociais e circuitos econômicos culturais. Alex Barcelos, articulador cultural, defendeu a soberania cultural como parte integrante da soberania nacional e compartilhou experiências de circulação de moedas sociais em eventos culturais.
Para encerrar, o público teve a chance de participar do “Jogo da Escult”, uma atividade formativa promovida pela Escola Solano Trindade de Cultura e Economia Criativa do MinC. Essa dinâmica interativa, inspirada no clássico “Sorte ou Revés”, utilizou um tabuleiro humano para discutir temas relacionados à economia criativa e às políticas públicas culturais.