Sinpro-DF comemora 42 anos

sinproPor ,19/03/2021 às 9:00, Atualizado em 19/03/2021 às 9:02

Luta, resistência e esperança: ninguém solta a mão de ninguém

O Sinpro-DF lançou um vídeo em homenagem às mais de quatro décadas de luta incansável

“Ninguém solta a mão de ninguém”. Esta frase viralizou nas redes sociais após as eleições de 2018 e foi assimilada por todos e todas que compreenderam a gravidade do resultado do pleito daquele ano. Não demorou, já nos primeiros passos do governo eleito, a frase ganhou mais sentido e materialidade e foi incorporada às lutas dos trabalhadores.

No dia 14 de março, quando o Sindicato dos Professores no Distrito Federal completou 42, a frase se revelou sinônimo de resistência e esperança asseguradas pela luta radical, diária e incessante da entidade.

O Sinpro-DF lançou um vídeo (acesse pelo link https://youtu.be/kLDCpvFlMAw) em homenagem às mais de quatro décadas de luta incansável pelo direito à educação pública, gratuita, laica, democrática, emancipadora e de qualidade socialmente referenciada; pelo direito à liberdade de organização sindical; e pelos direitos sociais e trabalhistas do magistério e da classe trabalhadora.

O vídeo é uma produção do Sinpro-DF e conta com a participação de professores(as), que tocam e cantam a música “Mão na mão”, de autoria de Márcio Faraco e arranjo e direção musical do professor Joaquim França, que fala da importância, histórica, de ninguém soltar a mão de ninguém: “unidos até a vitória”.  

“Para mim, como maestro e professor da rede pública, foi um grande prazer e honra participar na direção musical desse vídeo em homenagem aos 42 anos do Sinpro-DF. Essa instituição merece tão bela homenagem por ser um dos sindicatos mais representativos e atuantes do Brasil, estando sempre ao lado dos professores na resistência e na luta por melhores condições de trabalho e por uma educação de qualidade”, afirma França.

Participam do vídeo os(as) professores(as) cantores: Abiail Alecrim, AssisNGato, Bené Valadares, César Oliveira, Ceiça Simões, Flávia Luiz, Haila Ticiany, Hélia Mara, Luciana Dias, Mila, Zeni Rainha, Wellington Fagundes, Fernando Sanglard, George Lacerda. Professores(as) músicos(as): Taís Vilar, clarineta; Regiane Cruzeiro e Marcos Reis, violinos; Marie Novion, viola; Ocelo Mendonça, violoncelo; João Marinho, violão; Fernando Nantra, baixo elétrico; George Lacerda, percussão. Edição do vídeo: EmânuelCamarão.

História

Fundado em 14 de março de 1979, durante um dos governos mais violentos da ditadura civil-militar, o Sinpro-DF entrou em cena  justamente quando o Brasil estava numa situação muito parecida com a que vive hoje, em pleno ano de 2021: mergulhado numa crise econômica e política sem precedentes; com uma inflação que, na época, batia 150% ao ano; com uma dívida externa que chegava a US$ 100 bilhões; o desemprego alastrado e nas alturas; a fome entre as classes mais empobrecidas em franco crescimento; e os salários cada vez mais arrochados pela política econômica liberal.

Hoje, além de tudo isso, a precarização da educação se aprofunda pela ausência de política pública de combate à pandemia do novo coronavírus e a falta de vacinação em massa, o que fragiliza o magistério e traz mais desigualdade de acesso aos(às) estudantes à educação pública.

“É por isso que, este ano, o Sinpro-DF está de luto, juntamente com a população e com as famílias dos quase300 mil brasileiros(as) que perderam a vida para a covid-19 em consequência da falta combate à pandemia pelo governo eleito em 2018, que não investe o dinheiro público na saúde e na defesa da vida para atender aos interesses do mercado.

Assim, o sindicato não fará nenhuma live comemorativa, com atrações musicais, como é a nossa tradição, em respeito à memória dos mortos”, informa Eliceuda Silva França, coordenadora da Secretaria de Assuntos Culturais do Sinpro-DF.Segundo ela, a diretoria colegiada entende que este não é um momento festivo e decidiu que a homenagem deve se limitar, este ano, ao vídeo publicado nas redes.

No fim dos anos 1970, enquanto militares brasileiros e empresários nacionais e estrangeiros enriqueciam, ávida e enormemente, com as riquezas da nossa Nação – e, para isso, impuseram o regime de perseguição política, com terrorismo de todo tipo para intimidar qualquer reação ou organização da classe trabalhadora que combatesse a tirania e, sobretudo, a rapinagem –, os(as) professores(as) se reorganizaram e constituíram, na raça e na marra, o único instrumento capaz de dar um basta na festa marginal e de recomeçar as lutas necessárias para garantir conquistas para a classe dos professores, orientadores educacionais e especialistas da educação da rede pública de ensino.

Naquela época, a categoria entendeu que não havia outro jeito senão “ninguém soltar a mão de ninguém” e que somente unida numa entidade sindical forte poderia enfrentar, denunciar e combater o terrorismo de militares e empresários, sustentados por países e governos estrangeiros.

Entendeu que o sindicato seria, sim, um dos caminhos certos para estancar a entrega para estrangeiros dos nossos patrimônios naturais, biológicos, minerais e demais riquezas nacionais, defender a educação pública ameaçada pelo plano MEC-USAID e assegurar uma vida melhor para os(as) trabalhadores(as) da educação e demais categorias profissionais.

Há 42 anos, o Sinpro-DF se posicionou à frente na luta, no DF e no Brasil, para defender a Nação brasileira, a democracia e resgatar todos os direitos usurpados por uma facção subserviente e colonialista das Forças Armadas, pela Fiesp e outras organizações empresariais nacionais e estrangeiras, exatamente as mesmas que deram o golpe de Estado de 2016 e nos impõem, a cada dia, mais arrocho salarial, demolição de direitos retirados pela ditadura e resgatados após a democratização do Brasil, pela Constituição Federal de 1988.

O Sinpro-DF é uma das principais entidades que lideram, desde o fim dos anos 1970, o resgate da liberdade de organização e expressão numa época em que sindicatos e outras organizações sociais eram invadidos, passavam por intervenções e suas diretorias eram perseguidas, trabalhadores eram presos, torturados e até assassinados.

Não é agora que vamos fugir da luta! Hoje, como nunca, ninguém solta a mão de ninguém! Feliz aniversário ao sindicato e à categoria que mantém a luta em defesa do Brasil e da educação! Juntos e juntas somos muito mais fortes!

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