Setor de transporte lança protocolo para aumentar segurança nos ônibus

bsbcapitalPor ,16/12/2020 às 16:46, Atualizado em 16/12/2020 às 16:46

Elaborado pela Fetrasul, as 15 medidas contam com adesão da Urbi e da Piracicabana no Distrito Federal

A Federação das Empresas de Transportes Rodoviários do Centro-Oeste do Brasil (Fetrasul) apresentou nesta terça-feira (15) o Protocolo Transporte Seguro, composto por 15 medidas para garantir a prevenção contra a transmissão da covid-19 entre os usuários de ônibus e funcionários das empresas de transporte público no Distrito Federal. A campanha tem apoio da Associação Nacional de Transportes (NTU) e foi lançada inicialmente em Goiânia, Palmas e Anápolis. Em Brasília conta com a adesão das empresas URBI e Piracicabana. 

“Fomos acometidos de uma pandemia que foi surpresa para o mundo todo. Juntando esforços de todos os lados, podemos mostrar como fazer para enfrentar esse problema”, afirmou Barbosa Neto, representante da Fetrasul. Segundo ele, as medidas previstas no protocolo se aplicam aos funcionários das empresas e também aos passageiros do transporte coletivo.

Albano Esteves de Abreu, diretor da Piracicabana e também representante da Fetrasul, lembrou que as medidas do protocolo já são adotadas pelas empresas de ônibus do Distrito Federal desde o início da pandemia, mas foram sistematizadas na campanha para tranquilizar os usuários. “O protocolo veio para consolidar as medidas de prevenção contra a transmissão da Covid-19, já adotadas pelas empresas de ônibus no Distrito Federal”, explicou Abreu.

Entre as medidas previstas no protocolo, Abreu destaca a higienização dos ônibus que são feitas a cada viagem completa. “Toda vez que o ônibus chega no final do dia e antes de sair para os terminais são higienizados”, explicou. 

O protocolo prevê ainda cuidados especiais com motoristas e cobradores, que todos os dias têm a temperatura aferida. “Ao chegar nas rodoviárias, antes de retornar às viagens, uma equipe de limpeza realiza a higienização do carro. Só depois deste procedimento é liberado um novo embarque”, detalhou Abreu. Segundo ele, essas medidas estão sendo cumpridas e monitoradas pelo Ministério Público, pelo Departamento de Transportes do Distrito Federal (DFtrans) e pela Subsecretaria de Fiscalização, Auditoria e Controle do Distrito Federal. 

Márcio Antônio Ricardo de Jesus, representante da Secretaria de Transporte e Mobilidade do DF (Semob), explicou que o protocolo vai ajudar a informar e a trazer mais segurança para a população em relação aos cuidados e medidas tomadas no transporte coletivo para o combate à contaminação pelo vírus. ““Esse trabalho que vem sendo feito com o intuito de divulgar as ações é brilhante. O Ministério Público do Distrito Federal é quem mais tem cobrado ações nesse sentido, e nós queremos colaborar”, afirmou ele.

O representante da Semob destacou o trabalho realizado pelas empresas de transportes urbano do DF que durante a pandemia, mesmo com a redução no fluxo de passageiros, manteve o sistema funcionando. “O Distrito Federal, mesmo diante de uma redução de quase 75% da demanda, manteve o sistema funcionando por garantir a segurança dos usuários”, disse.

Ulisses Lavaca, coordenador do Núcleo de Comunicação e Marketing da NTU, diz que “o uso do transporte público pode ser tão ou mais seguro do que qualquer outro espaço público, desde que sejam adotadas medidas de segurança eficazes.” Lembrando que o transporte coletivo é essencial para a maioria da população, ele destacou a campanha pela adoção do Protocolo Seguro no Transporte vai para orientar e tranquilizar a população. “Precisamos garantir que as pessoas possam se sentir seguras para usar o transporte urbano”, acrescentou. 

Estudo elaborado pela NTU concluiu que não há evidências de que o aumento do número de passageiros transportados levou a um aumento do número de casos. Foram analisados do número de passageiros transportados em 15 sistemas de transportes públicos urbanos por ônibus no Brasil, responsáveis por 171 municípios, e a incidência de casos confirmados de Covid-19 nas mesmas cidades. O levantamento teve como base a variação da demanda por transporte, calculada pela NTU, e os dados do SUS (Sistema Único de Saúde) durante 17 semanas, entre as semanas epidemiológicas 14 e 30, de 29 de março a 25 de julho de 2020. 

A integra da pesquisa realizada pela NTU está disponível em: https://www.ntu.org.br/novo/upload/Publicacao/Pub637360193737717105.pdf.

O consultor de marketing e especialista em transporte público coletivo Roberto Sganzerla diz que as pesquisas apontam que o ambiente coletivo, sendo operado com protocolos que sejam seguidos, podem sim ser um lugar seguro. “Transportes com protocolos sendo seguidos da maneira correta podem sim ser seguros”, afirma.  Segundo ele, com o protocolo e uma série de cuidados, esses ambientes podem ser seguros. “Hoje, por exemplo, as pessoas já passeiam em parques usando máscara e aquele ambiente, quando adotados os protocolos, é seguro. Transporte coletivo sem protocolo e sem as pessoas fazendo sua parte pode ser inseguro, mas quando é feito com protocolos orientados pelas autoridades internacionais, esse ambiente é considerado seguro pelas pesquisas.”

No Distrito Federal, o protocolo ganhou a adesão das concessionárias Urbi, responsável pelos serviços nas regiões de Samambaia Sul e Norte, Recanto das Emas, Núcleo Bandeirante e Riacho Fundo I e II, e Piracicabana, que atende os moradores de Brasília, Cruzeiro, Lago Norte, Varjão, Sobradinho e Planaltina.

Confira as medidas propostas pelo protocolo: 

1. Janelas dos ônibus convencionais, elétricos e micro ônibus abertas para circulação do ar.

2. A limpeza do ar-condicionado nos articulados é feita diariamente com quaternário de amônio.

3. Higienização intensificada em garagens e áreas administrativas. 

4. Oferta de vacina contra H1N1 com prioridade para motoristas, ofertada pelo Ministério da Saúde.

5. Teste em massa para verificar a presença do vírus entre os rodoviários em parceria com o SEST SENAT. 

6. Incentivo ao pagamento com Cartão Mobilidade.

7. Uso obrigatório de máscaras no interior dos ônibus.

8. Álcool em gel e máscaras para motoristas e cobradores.

9. Escudo de proteção para os cobradores. 

10. Medição de temperatura dos motoristas e cobradores nas garagens.

11. Investigação dos sintomas da COVID-19 apresentados pelos colaboradores, com imediato afastamento em caso de confirmação. 

12. Atendimento virtual via whatsapp ou e-mail para os rodoviários com suspeita de COVID-19.

13. Incentivo ao uso de informações em aplicativo de localização dos ônibus (Moovit e Cittamobi).

14. Campanhas de prevenção à COVID-19.

15. E-book de prevenção à COVID-19. 

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