Tersandro Vilela (*)
O Instagram começou a testar, na segunda-feira (4), um selo para identificar contas que publicam conteúdos gerados ou modificados com inteligência artificial. A medida, ainda em fase de testes, busca ampliar a transparência na plataforma em um momento de crescimento acelerado de imagens, vídeos e perfis produzidos com apoio de ferramentas generativas.
Segundo informações divulgadas, o recurso será voluntário e poderá aparecer no perfil de criadores, no feed, nos Reels e na aba Explorar. A mensagem prevista é direta: “Este perfil posta conteúdo que foi gerado ou modificado com IA”. A proposta é permitir que o usuário saiba, antes de interagir com determinado conteúdo, se há uso recorrente de inteligência artificial em sua produção.
A novidade não substitui os rótulos já adotados pela Meta para conteúdos específicos gerados por IA. O novo selo mira o comportamento do perfil, e não apenas uma publicação isolada. Na prática, a plataforma tenta diferenciar criadores humanos tradicionais, artistas digitais e contas que usam IA como base regular de produção.
O teste ocorre em meio à pressão crescente por mais clareza sobre conteúdos sintéticos. Com ferramentas capazes de criar imagens realistas, simular pessoas e modificar cenas com alto grau de verossimilhança, redes sociais passaram a ser cobradas por mecanismos de identificação mais visíveis. A Meta afirma que a iniciativa busca elevar o padrão de transparência sobre IA no Instagram.
A adesão voluntária, porém, é o principal limite da medida. Se depender apenas da escolha dos criadores, o selo tende a ser usado por quem já vê valor reputacional na transparência. Perfis que usam IA para enganar, manipular ou simular autoridade dificilmente terão incentivo para se identificar.
O teste sinaliza uma mudança relevante: conteúdos produzidos com IA passam a exigir identificação pública, sobretudo para áreas sensíveis, como saúde, alimentação, estética e educação. A medida reforça uma tendência regulatória e ética, quando considera que o público tem direito de saber quando está diante de conteúdo produzido ou alterado por inteligência artificial.
(*) Jornalista pós-graduado em Filosofia, especialista em Liderança: gestão, resultados e engajamento, e mestrando em Inovação, Comunicação e Economia Criativa