Saúde pública do DF faz terapia comunitária

mmPor ,23/04/2018 às 10:34, Atualizado em 23/04/2018 às 14:24

Com o nome oficial de Terapia Comunitária Integrativa (TCI), ela está presente em 29 unidades da rede. A finalidade é criar soluções para cada paciente a partir de experiências da própria comunidade

 

Terapia no Parque Três Meninas, em Samambaia. Foto: Gabriel Jabur/Agência Brasília.

Maria Irani Medeiros, de 54 anos, vê em compartilhar problemas com os outros o alívio para os seus próprios. Ela é uma das pacientes da Unidade Básica de Saúde (UBS) 2 de Samambaia que participam toda sexta-feira dos encontros de Terapia Comunitária Integrativa (TCI). “Nós viramos amigos. Quando estou precisando, vou à casa deles conversar”, conta a dona de casa. As sessões — também chamadas de rodas — duram duas horas e ocorrem, nesse caso, no Parque Três Meninas.

Disponível na rede pública de saúde do Distrito Federal desde 2011, o princípio da prática é, com base na intervenção coletiva, aproveitar as experiências da comunidade para incentivar cada paciente a criar as soluções para suas próprias dificuldades. A TCI ainda fortalece os laços sociais e os benefícios de viver em conjunto, complementa a coordenadora-técnica de Terapia Comunitária Integrativa da rede, Doralice Oliveira Ramos.

“A partir do momento em que consigo ouvir a dor do outro, também penso na minha e em estratégias de como melhorar e cuidar melhor de mim”, avalia a servidora da Secretaria de Saúde. “Com isso, estabelecemos redes solidárias.”

No espaço de escuta e fala, há regras claras, tais como:

  • Fazer silêncio quando tiver de ouvir o outro
  • Falar de si
  • Usar recursos culturais, como cantos, quando possível
  • Não dar conselho. Isso envolve não julgar ou criticar os demais participantes

“Aqui somos todos iguais, por isso estamos em círculo”, explica a psicóloga Andréa Mota Machado Dias, que ajudou a implementar o grupo em Samambaia, em 2011.

Temas diferentes

Ela o toca ao lado de uma assistente social. Os encontros, com temas diferentes a cada dia, são divididos em momentos para a acolhida, a escolha do assunto e a partilha de experiências. As demandas chegam por encaminhamento de alguma unidade de saúde da região ou, espontaneamente, da própria comunidade. Não há limite de idade para participar. A terapia comunitária é uma das 14 práticas integrativas em saúde disponíveis na rede e oferecida em 29 unidades no DF (veja os locais, dias e horários).

Metodologia usada em todo o Brasil

Criada em 1987, em Fortaleza (CE), a metodologia está difundida em todo o Brasil — com cerca de 35 mil terapeutas — e presente em todos os países da América Latina, além de outros da Europa: Dinamarca, França, Itália, Portugal e Suíça. Segundo Doralice, há 33 terapeutas comunitários da rede pública local em formação pelo Movimento Integrado de Saúde Mental Comunitária (Mismec) do Ceará, sem custo para o go

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