Repórter, uma profissão em extinção

mmPor ,23/09/2018 às 10:30, Atualizado em 21/09/2018 às 14:51

Onde estão eles, que assinavam sensacionais reportagens nos jornais impressos? Provavelmente, cumprindo pautas no Céu

De repente, surgiu na minha mente a grande interrogação: onde estão eles, que assinavam sensacionais reportagens nos jornais impressos?  Provavelmente, cumprindo pautas no Céu, tal qual o nortista Ubiratan de Lemos, baixinho e feio, que tinha o apelido de Baiaco, mas que dava uma sorte incrível com mulheres cariocas, conforme já contei aqui neste cantinho de página. Ele foi um dos melhores repórteres que conheci em toda esta longa trajetória, trabalhando nas Redações de grandes diários e semanários, como as revistas O Cruzeiro e Manchete,editadas no Rio de Janeiro.

Como sou bom de memória, cito os nomes e respectivos epitáfios de três inesquecíveis repórteres nascidos no Rio: Amado Ribeiro, que virou personagem numa peça de teatro de Nelson Rodrigues, “Beijo no Asfalto”; Octávio Ribeiro, conhecido como“Pena Branca”,o melhor repórter policial do Brasil; e o genial Luiz Carlos de Moraes Sarmento, que escreveu a peça teatral “Eu não estou louco!”, mas já estava a caminho, sim, porque todo gênio tem alguma coisa de louco.

No cenário das Redações locais, o Correio Braziliense tem um número enorme de bons comentaristas(*) e até um excelente editor, o José Carlos Vieira, mas ficou vazio no quadro de repórteres desde a saída da Conceição de Freitas, que virou dona de banca de jornais, na 308 Sul, onde semeia Cultura, diariamente.

Radicados em Brasília, posso destacar dois nomes, porém os ditos cujos não estão na ativa: a sempre charmosa pernambucana Ana Dubeux, que foi promovida a Diretora de Redação do Correio Braziliense; e o carioca Gilson Rebello, que voltou à produção na Literatura, inclusive com vários livros premiados, dois dos quais quando ainda era adolescente no Rio de Janeiro.

Ainda no contexto local, há em ação um versátil jornalista de fato e de direito (diplomado pelo CEUB), por sinal, nascido candango legítimo: o Repórter (com “R” maiúsculo) Orlando Pontes, que patrocina aulas gratuitas por escrito sobre a nobre profissão, semanalmente, nas edições deste Brasília Capital.

(¨*) Ao contrário da ação dinâmica e cansativa do repórter, que vai garimpar informações úteis quase sempre longe das Redações, o comentarista escreve sentado, confortavelmente, catando milho em seu computador, igualzinho a este aprendiz de escriba: eu!

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