Renato Santana acusa Rollemberg de racista

bsbcapitalPor ,23/04/2018 às 18:35, Atualizado em 24/04/2018 às 16:47

O vice-governador fez as acusações em discurso no plenário da Câmara dos Deputados, nesta segunda-feira (23). Palácio do Buriti rebate em nota, chamando-o de mentiroso e leviano. E ainda de “imaturo, despreparado e inconsequente”

Renato Santana diz que foi discriminado por ser negro e morador da Ceilândia, e que Rollemberg, no convívio diário, não consegue esconder o elitismo e o preconceito. Foto: Alex Ferreira/Câmara dos Deputados

 

 

O vice-governador do Distrito Federal, Renato Santana (PSD), afirmou nesta segunda-feira, na sessão solene em homenagem aos 58 anos de Brasília, que sofre perseguição do governador Rodrigo Rollemberg (PSB) por ser “negro e morador de Ceilândia”. De acordo com Renato Santana esta é a explicação para o afastamento entre os dois durante o mandato.

“Sou negro. Negro da Ceilândia. Sou servidor de carreira. Rollemberg nunca escondeu seu desprezo pelos mais humildes. Faz um discurso pseudo-socialista, mas no convívio diário não esconde seu elitismo e seus preconceitos”, discursou Renato Santana. Ele afirmou ainda que acreditou que Rollemberg seria “o novo na política” e que “errou nas previsões”. Um dos motivos da indignação é que o governador assinou decreto na semana passada limitando o número de cargos de confiança a apenas cinco para a vice-governadoria.

O Palácio do Buriti reagiu, por intermédio da Casa Civil, que, numa nota, tachou as afirmações do vice-governador de mentirosas e levianas. “Santana busca o discurso da vitimização, recorrendo a argumentos estapafúrdios para acusar o governador de preconceitos jamais alegado por qualquer pessoa séria em Brasília. Usa o método sorrateiro para esconder sua incapacidade administrativa”, afirma o texto.

Discurso completo do vice-governador Renato Santana

“Em 2014, fui eleito vice-governador, acreditando que Rollemberg seria o novo na política, e faríamos juntos um governo moderno e eficiente.
Infelizmente, errei nas minhas previsões.
Errei em achar, no plural, que faríamos .
Ele nunca permitiu que eu participasse das decisões. Nunca.
Errei no moderno.
Rollemberg mostrou-se a vanguarda do atraso.
Perseguiu servidores. Descumpriu promessas. Abandonou compromissos. Afastou os aliados.
Errei no eficiente.
Não conseguiu terminar a adutora de Corumbá. Aumentou as tarifas de ônibus e Metrô, na calada da noite. Fui contra! Não fez nem um metro a mais de Metrô nem investiu no sistema viário. Fez um caos na saúde. Fechou delegacias e postos policiais. Destruiu, por ser incapaz de construir. Não fez sequer a manutenção obrigatória dos viadutos. Não cuidou da cidade, que responde ao descaso com a maior rejeição da história.
A princípio, tentei ajudar. Fui rechaçado.
Depois, fiz críticas construtivas. Fui ignorado.
E quando lealmente discordei, fui perseguido.
Para honrar meu mandato, fui para as ruas. Enquanto os asseclas acadêmicos do governador, que não conhecem as cidades satélites, ficavam encastelados no ar-condicionado de seus gabinetes. Mesmo sem apoio, rodei 800 mil quilômetros em três anos e meio, ouvi a população e resolvi problemas.
Agora, que nossos rumos serão diferentes em 2018, o governador autoritário e despótico demite os servidores do meu gabinete, pessoas honradas e trabalhadoras. Devo lembrar que não fui nomeado, mas eleito pelo povo do Distrito Federal.
Para me prejudicar, ele prejudica pais de família e desrespeita a população que nos elegeu.
E por que tanta perseguição?
Chegou a hora de dizer.

 

“PRECONCEITO.

 

“Sou negro. Negro da Ceilândia. Sou servidor de carreira.
Rollemberg nunca escondeu seu desprezo pelos mais humildes. Faz um discurso pseudo socialista, mas no convívio diário não esconde seu elitismo e seus preconceitos.
Pois saiba, governador, que diferente de você, que é filho de ministro e entrou no Senado pela janela, sem concurso, eu estudei, fiz concurso e tenho muito orgulho da minha cor e de minha origem.”

 

Íntegra da nota da Casa Civil:

“As palavras do atual vice-governador do Distrito Federal não surpreendem.
Reafirmam sua conduta despreparada, imatura, inconsequente e por diversas vezes distante da realidade dos fatos.
São palavras inconsequentes e irresponsáveis. Falta envergadura moral ao vice para falar em lealdade.
Lembremos do episódio do borracheiro, em Brazlândia. Em substituição ao governador, Santana ofendeu o proprietário da loja, após enganá-lo. É a prova da sua maneira de atuar.
Agora, de forma leviana e mentirosa, Santana busca o discurso da vitimização, recorrendo a argumentos estapafúrdios para acusar o governador de preconceitos jamais alegado por qualquer pessoa séria em Brasília. Usa o método sorrateiro para esconder sua incapacidade administrativa.
A ação dele não afetará a disposição do Governo de Brasília para melhorar a qualidade de vida da população.

Casa Civil do Governo de Brasília”

Íntegra da nota do Governo de Brasília

 

“Nota Oficial

 

As palavras do atual vice-governador do Distrito Federal não surpreendem.
Reafirmam sua conduta despreparada, imatura, inconsequente e por diversas vezes distante da realidade dos fatos.

São palavras inconsequentes e irresponsáveis. Falta envergadura moral ao vice para falar em lealdade.

Lembremos do episódio do borracheiro, em Brazlândia. Em substituição ao governador, Santana ofendeu o proprietário da loja, após enganá-lo. É a prova da sua maneira de atuar.
 
Agora, de forma leviana e mentirosa, Santana busca o discurso da vitimização, recorrendo a argumentos estapafúrdios para acusar o governador de preconceitos jamais alegado por qualquer pessoa séria em Brasília. Usa o método sorrateiro para esconder sua incapacidade administrativa. 

A ação dele não afetará a disposição do Governo de Brasília para melhorar a qualidade de vida da população.

 

Governo de Brasília

 

 

 

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