Relações diplomáticas entre os EUA e Cuba. É para valer?

bsbcapitalPor ,19/12/2014 às 20:15, Atualizado em 19/12/2014 às 20:15

 Valter Xéu (*)   As conversações para o reatamento de relações diplomáticas entre Cuba e Estados Unidos vinham acontecendo há algum tempo. Primeiro com a intermediação da Espanha e agora do Papa Francisco e do Canadá. Se Cuba fosse esperar pelos “esforços” da Espanha, o reatamento nunca iria acontecer, pelo simples fato de que é …

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 Valter Xéu (*)

 

As conversações para o reatamento de relações diplomáticas entre Cuba e Estados Unidos vinham acontecendo há algum tempo. Primeiro com a intermediação da Espanha e agora do Papa Francisco e do Canadá. Se Cuba fosse esperar pelos “esforços” da Espanha, o reatamento nunca iria acontecer, pelo simples fato de que é a Espanha o país, hoje, que desfruta da posição mais privilegiada dentro de Cuba, operando em varias frentes de negócios, principalmente no turismo, setor que domina totalmente.    Com uma reaproximação da ilha caribenha com os EUA, fatalmente a Espanha terá que dividir o mercado com os norte-americanos, que estão a apenas 30 minutos de voo do aeroporto José Marti, enquanto a Espanha está do outro lado do oceano.

Mas o que precipitou mesmo a atitude dos EUA foi o fator Rússia. Os americanos perceberam os russos em conversações com os cubanos para rearmar sua antiga base militar na ilha. Só em pensar nisso, seria o bastante para tirar o sono do ocupante da Casa Branca, pela hipótese de reeditar a crise dos mísseis de 1961, em que quase se chegou a um confronto armado contra a União Soviética, e que poderia ter levado à Terceira Guerra Mundial.

Os Estados Unidos pretendem enfraquecer a Rússia, principalmente a sua economia. Agora fica difícil a instalação de uma base militar russa em Cuba, o que seria visto por Washington como uma provocação cubana. Assim sendo, nem Cuba nem os EUA estão interessados, neste momento histórico, em criar problemas um para o outro. Então a presença russa em solo cubano com certeza já esta descartada.

Enfraquecendo a Rússia e incentivando no Brasil e na Venezuela grupos de direita a desestabilizar os governos e criar o caos, os americanos visam o enfraquecimento dos Brics, bloco formado pelas cinco maiores economias do planeta, fora Estados Unidos, Alemanha e Japão. A formação dos Brics é vista pelos EUA como uma afronta à sua economia, pelo enfraquecimento do FMI e Banco Mundial, controlados por Washington.

As crescentes transações entre Rússia, China e Irá já não usam o dólar americano, e os EUA não vão tolerar a mudança da moeda padrão no mundo, que é o dólar. Não à toa, até hoje a Inglaterra, parceira dos Estados Unidos em tudo, especialmente na pilhagem das riquezas do Oriente Médio, ou onde os EUA se metam, não aderiu ao euro.

Na América do Sul, a crescente oposição a Washington deve-se muito à politica mantida contra Cuba nesses 50 anos, o que desencadeou uma forte solidariedade ao país caribenho e a formação de diversos governos simpáticos a Havana. A normalização das relações diplomáticas pode levar os partidos e grupos de esquerda desses países a um enfraquecimento, com a perda do discurso contra Washington, pois o que eles combatiam agora é amigo daquele que eles defendiam.

Há algumas décadas, a Assembleia Geral da ONU condena o bloqueio dos EUA contra Cuba. Somente os Estados Unidos, Israel e Ilhas Marshall eram contra. Além de manter o bloqueio econômico, os EUA financiam grupos subversivos para ações de terror na ilha. E fazia isso abertamente, por intermédio da Usaid, da Cia e de ONGs de fachada, que desenvolviam ações na tentativa de desestabilizar o regime castrista.

Vamos aguardar para ver se o reatamento diplomático é para valer ou simplesmente para facilitar as ações da inteligência norte-americana em Cuba, para implodir o regime, coisa que já vinham fazendo, sem sucesso, há 53 anos. E mais: como os EUA se posicionarão em relação à Venezuela, parceira comercial e política de Cuba, que sofre sanções da Casa Branca.

(*) Diretor e editor dos portais Pátria Latina e Irã News

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