Caroline Romeiro (*)
A virada do ano costuma ser marcada por promessas individuais, mas também é um momento potente para refletirmos sobre escolhas coletivas. Quando falamos de Alimentação e Nutrição no Brasil, ao entrar em 2026 exige-se olhar para além das dietas da moda e pensar em políticas públicas que impactam milhões de vidas.
Em 2025, o debate sobre sistemas alimentares saudáveis, sustentáveis e justos ganhou espaço, reafirmando que comer bem não é apenas uma decisão pessoal, mas um direito que precisa ser garantido pelo Estado.
Nesse cenário, a alimentação escolar segue como uma das políticas mais estratégicas para a segurança alimentar e nutricional no país. O Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) não apenas garante refeições diárias a estudantes de norte a sul do Brasil, como também promove educação alimentar, valoriza a agricultura familiar e reduz desigualdades.
Olhar para 2026 é reforçar o compromisso com a qualidade dessas refeições, com alimentos de verdade, culturalmente adequados e capazes de contribuir para o desenvolvimento, a aprendizagem e a saúde das crianças e adolescentes.
Outra pauta que marcou 2025 e seguirá no centro do debate é a relação do Brasil com os alimentos ultraprocessados. Evidências científicas têm mostrado, de forma cada vez mais consistente, os impactos negativos desses produtos na saúde da população.
Discutir medidas como a taxação de ultraprocessados, a regulação da rotulagem e o enfrentamento do marketing infantil não é uma forma de restringir escolhas, mas de proteger especialmente crianças e adolescentes, criando ambientes alimentares mais justos e favoráveis à saúde.
Ao iniciar 2026, a reflexão que se impõe é clara: que país queremos alimentar? Um Brasil que investe em políticas públicas baseadas em evidências, que fortalece a alimentação escolar, regula o que adoece e promove o que nutre, caminha na direção de mais qualidade de vida e equidade.
Que o novo ano nos leve não apenas a novos planos, mas a um compromisso coletivo com a saúde, o cuidado e o direito humano à alimentação adequada.
(*) Mestre em Nutrição Humana, coordenadora técnica de Nutrição do Conselho Federal de Nutrição e docente de Nutrição da Universidade Católica de Brasília
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